A outra face do covid

2020 será para sempre recordado como “O Ano da Pandemia”, mas será que este ano se resume a apenas isso? Terá 2020 sido apenas um ano mau? Não, a verdade é que, apesar dos desafios que a pandemia nos coloca e colocou, também conseguimos algumas conquistas. Estás preparado para descobrir quais foram?

Logo no decorrer da pandemia verificaram-se duas conquistas: os recursos naturais para 2020 esgotaram-se mais tarde do que em 2019 e verificou-se uma diminuição da poluição.

Estas duas conquistas não se devem a nós, mas servem de alerta para a importância de tomarmos conta da nossa casa comum e começarmos a alterar os nossos habitos de consumo e adotarmos comportamentos mais sustentáveis. Estes dois acontecimentos culminam numa diminuição de 9,3% da nossa pegada ecológica devido à redução da procura de madeira e das emissões de dióxido de carbono.

Ademais, a redução das emissões de gases como o dióxido de nitrogênio ou de carbono, permitiram-nos evitar 11mil mortes. Estas substâncias são tóxicas e, por conseguinte, fragilizam o nosso sistema cardiorrespiratório, levando a que 7milhões de pessoas morram todos os anos. Os cidadãos chineses são aqueles que mais sofrem as consequências da poluição e, por isso, foram uns dos maiores beneficiários desta redução. A diminuição da poluição, acompanhada pelas medidas de isolamento, permitiram salvar entre 50 e 77 mil chineses.

Mas não foi só o ambiente que beneficiou com a pandemia. Nós, ao sermos confrontados com o isolamento e com as nossas vidas viradas ao contrário, trouxemos o nosso lado mais solidário ao de cima. Começamos a sair às nossas varandas para aplaudir aqueles que lutavam, e lutam, na linha da frente contra a pandemia. Saímos, mais uma vez, às varandas para mesmo longe estar junto e cantarmos. Ajudamos os mais vulneráveis ao oferecermo-nos para lhes levar bens essenciais como comida ou medicação. Novos modelos de negócio surgiram, pessoas começaram a criar e oferecer máscaras sociais, empresas começaram a produzir álcool em gel. 

Ao mesmo tempo, não podemos ignorar todas as conquistas que minorias ou pessoas mais vulneráveis conseguiram alcançar. As marchas em prol de “Black Lives Matter” demonstraram a revolta de todas as pessoas ao redor do mundo face ao abuso de poder da polícia perante as pessoas negras. Pessoas cuja única diferença é a cor da pele. Um pequeno passo foi dado no sentido de desconstruir vários pensamentos e estereótipos que foram sendo passados de geração em geração e que colocaram outras raças num patamar inferior face aos ditos “brancos”.

Outra minoria que viu mais um passo a ser dado em direção à aceitação foi a comunidade LGBTQ+ com o Supremo Tribunal dos EUA a considerar a discriminação no emprego contra homossexuais e transexuais um crime, assim como, que as pessoas transexuais se encontram protegidas contra a discriminação sexual.

Outra vitória para esta comunidade ocorreu na Costa Rica, quando esta decidiu tornar-se o primeiro país da América Central a legalizar o casamento entre homossexuais. Esta decisão foi marcada pela transmissão em direto da primeira união civil entre pessoas homossexuais.

Por fim, outra vitória que já marcou este ano foi a erradicação do vírus da poliomielite do continente africado. A luta para a imunização face a este vírus começou em 1996 e, desde então, foi possível impedir que 180mil crianças morressem e que cerca de 1,8milhões sofressem de paralisia para toda a vida.

Estas foram algumas das nossas conquistas em 2020, mas o ano ainda não acabou. Ainda temos muitas mais conquistas para alcançar e muitos mais passos para dar em prol da aceitação, da justiça, da tolerância e da igualdade. E tu? Como vais contribuir? Descobre algumas experiências de voluntariado para conquistarmos um mundo melhor em: aiesec/global-volunteer.

Estágio Internacional?

“Estou a pensar no que fazer para iniciar a minha carreira profissional, e agora? Como irei destacar-me no mercado de trabalho? O que faço?” São várias as questões e receios no momento em que a entrada no mercado de trabalho se aproxima. É o momento em que tudo aquilo para que trabalhamos ao longo dos anos é posto à prova e a nossa independência começa a afirmar-se.

Mas, como é que me vou destacar de entre todos os outros candidatos? Uma possibilidade é um estágio internacional com a AIESEC através do programa Global Talent. Durante 6 semanas a 1 ano podes estar a trabalhar numa Startup, pequena/média empresa ou multinacional nas áreas de Sales, Marketing, Business Administration ou Business Development.

E como te podes candidatar a esta experiência? Está mesmo à distância de um clique e da inscrição na nossa plataforma em: aiesec.org/global-talent.

E depois, o que acontece? Depois de te inscreveres na nossa plataforma, serás contactado e darás início a todo o processo. Neste primeiro contacto, o membro da AIESEC vai procurar saber um bocadinho mais sobre ti e sobre todo o teu percurso de forma a perceber o tipo de estágios que te podem interessar.

Depois deste breve contacto, terás uma entrevista com o membro da nossa organização para ele ficar a conhecer-te melhor enquanto pessoa e para perceber como te podes sair na entrevista e, ao mesmo tempo, dar-te-á feedback sobre todo o teu currículo e pontos que podes melhorar. Aqui podem já ser-te apresentadas algumas possibilidades de estágio de acordo com todas as informações que recolhemos ao longo de todo o processo.

No final, durante o período de um mês estarás a receber mais algumas sugestões de oportunidades e a candidatar-te àquelas que te despertaram maior interesse. E o que acontece nesta fase? Terás que fazer vídeos de apresentação ou ter um conjunto de entrevistas para as diferentes oportunidades a que te candidataste de forma a que o escritório da AIESEC que te poderá receber e acompanhar durante todo o período da tua experiência perceba se encaixas no perfil que os seus parceiros estão à procura.

Agora que já sabes um bocadinho sobre todo o processo de candidatura a um programa de estágio internacional, deves estar a questionar-te sobre como é que a AIESEC pode ajudar-te em todo este processo.

O papel da AIESEC vai muito mais além do que apenas colocar-te em contacto com um parceiro e uma empresa. Nós, enquanto organização que acredita no teu potencial e no teu desenvolvimento, acompanhamos-te desde do início até ao final de toda esta experiência. Ajudamos-te a preparares-te para as entrevistas que irás realizar, analisamos o teu currículo de forma a conseguires perceber os aspetos que podes melhorar e como e revemos toda a tua candidatura de forma a que esta fique mais atrativa. Além disso, o facto de termos uma maior proximidade com os diversos países parceiros para os quais te podes estar a candidatar permite-nos saber o ponto em que o teu processo se encontra.

No momento em que fores aceite e te começares a preparar para o início da tua experiência, a AIESEC também vai garantir que podes participar em atividades que te permitam lidar da melhor maneira não só com a empresa onde irás trabalhar, mas também preparar-te para o choque cultural que outra realidade poderá ter em ti. Chegado ao teu destino, continuaremos sempre a acompanhar-te, mesmo que à distância, de forma a garantir que tenhas a melhor experiência possível e que te desenvolvas ao máximo.

Talvez o teu destino, depois de terminada a jornada académica, seja este: conhecer uma nova cultura, enquanto desenvolves competências de liderança e enriqueces o teu currículo com uma experiência internacional única. Se queres ser o candidato que as empresas precisam, não hesites e inscreve-te em: aiesec.org/global-talent.

Meninas Mulheres!

Nasceu! É uma menina! A sala enche-se de alegria e festejos! A mãe, ainda com aquele ser indefeso no colo, chora! “Que ternurento, é tanta felicidade junta!”, pensamos nós meros espectadores.
A verdade, é que aquela mãe chora, com tamanha dor no peito por saber que aquele ser, ainda sem nome, já tem o destino traçado. Aquela menina vai ser educada para ser uma boa esposa e mãe. Aos 16, ou talvez menos, já estará a casar com um homem bom e, dali a 1 ano, será ela numa cama de hospital a carregar nos braços o seu bebé recém-nascido.
Esta “mãe” e esta “menina” são o retrato de todas as meninas mulheres, que deixam de brincar de bonecas para serem boas esposas e para terem o primeiro filho antes de o corpo ter tempo de se desenvolver completamente.
Esta história é a realidade de meninas como a Muskaan, oriunda da Índia e de apenas 15 anos, que se viu forçada a casar com um homem mais velho para que a sua família e os seus 6 irmãos pudessem ter comida na mesa.
Com o tempo, várias organizações mundiais lutaram para combater o casamento infantil através de um maior acesso à educação para as jovens. A educação iria permitir que estas meninas passassem mais tempo na escola, aprendessem a ler e a escrever e começassem a sonhar com uma vida diferente. Contudo, a pandemia obrigou a que todas elas perdessem o acesso a este bem precioso ficando confinadas às suas casas.
O casamento infantil era uma realidade que, pouco a pouco, se ia desvanecendo sobretudo nos países asiáticos, como a Índia, o Vietnã ou a Indonésia, que se tornou mais forte com o aparecimento da pandemia, culminando em anos de esforço e consciencialização arruinados por um vírus invísivel que levou à intensificação da pobreza vivida por estas famílias. A solução mais fácil é a troca das filhas, como se de mercadorias se tratassem.
Somando todas as famílias desesperadas que vêem nas filhas a solução para a situação que enfrentam, estima-se que, por todo o mundo, cerca de 12 milhões de meninas casem todos os anos antes de terem completado 18 anos. Este cenário foi agravado com o aparecimento da pandemia do coronavírus, perspetivando-se 13 milhões de casamentos infantis na próxima década, caso não se implementem medidas.
Infelizmente, o casamento infantil ainda é uma prática generalizada em muitos países e 1 em cada 5 meninas casa ou mantém união de facto antes mesmo de completar os 18 anos. Cerca de 40% das meninas são mulheres antes dos 18 anos e 12% antes mesmo dos 15 anos.
Segundo a ONU, 650 milhões de mulheres casaram quando ainda eram meninas e a pandemia pode custar o casamento de mais 13 milhões, um número que poderia ser evitado.
Ao longo dos anos vários países tentaram combater esta prática através do aumento da idade legal para se casar. A Indonésia, por exemplo, aumentou a idade mínima dos 16 para os 19 anos. Esta medida não é suficiente, e a prova disso é que, mesmo assim, entre janeiro e junho deste ano 33 mil casamentos foram aceites pelas autoridades da Indonésia. São mais 11 mil casamentos do que em todo o ano de 2019.
Por todo o mundo, milhares de meninas viram o sonho de serem professoras, médicas ou cientistas a ser destruído. Milhares de mães viram as suas meninas forçadas a casarem-se com um homem do dobro ou triplo da sua idade. Milhares de meninas mulheres perderam a vida porque foram mães antes de o corpo conseguir forças para suportar outra vida. Milhares de famílias viram o casamento das suas filhas como uma saída da pobreza. Milhares de organizações assistiram a um rápido retrocesso de anos de luta.
A batalha ainda não está perdida. Ainda é possível vencer esta luta e conseguir eliminar o casamento infantil até 2030. Ainda é possível que estas meninas sejam meninas e concretizem o sonho de serem quem querem ser.
Para tal, basta um pequeno passo de todos nós. Basta uma ação diferente, basta uma maior consciencialização. E tu, tu tens a chave para a diminuição do casamento infantil ao realizares uma experiência de voluntáriado internacional focada no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 – Igualdade de Género.
Toma uma ação e luta por todas as bébes sem voz, para que elas consigam alcançar todos os seus sonhos. Toma uma ação para que em 2030 os casamentos infantis sejam nulos. Ajuda a ONU e a AIESEC a concretizar este objetivo, inscrevendo-te em: aiesec.org/global-volunteer.

5 anos de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Estávamos em Setembro de 2015 quando um grupo de cerca de 195 países decidiu juntar-se e ter um impacto no mundo. 195 países deram voz aos sem voz e definiram um conjunto de objetivos voltados para o desenvolvimento sustentável da sociedade. Assim, surgiram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030.

Conscientes de que há várias áreas que necessitam de um impacto, de mudanças de mentalidades e da tomada de uma atitude, estes 195 países uniram forças e definiram objetivos voltados para a nossa casa Mãe, para os nossos animais e vida natural e, claro, para nós seres humanos que ainda não aprendemos que somos todos iguais e que todos merecemos as mesmas oportunidades.

Claro que marcar uma reunião, definir 17 Objetivos e dar a missão como concluída de nada nos serve e será apenas mais uma ação para parecer solidário, do que para ser solidário. Foi por isso que, desde então todos remaram nesse barco que está longe de chegar ao porto de destino.

Sendo assim, em que ponto estamos nós? Ainda no porto de origem? Ainda mais longe do nosso destino, do que quando iniciamos a viagem?  Ou, já em alto mar, avançando remada após remada?

Vamos descobrir juntos, pode ser?

Um dos objetivos definidos era “Educação Equalitária” e, neste aspeto, verifica-se uma tendência crescente. Isto porque em 2000 cerca de 26% dos jovens não se encontravam a estudar, enquanto que, em 2018, este número já é ligeiramente mais baixo com uma proporção de 17%. Este cenário, apesar de se encontrar na direção que todos queremos, não está a evoluir da forma que desejariamos com 258 milhões de crianças sem frequentarem a escola em 2018. Perante este cenário de decrescimo lento, perespetiva-se que em 2030 cerca de 200 milhões de crianças cotinuem sem terem acesso a um bem essencial: a educação.

No que se refere à igualdade de género e à idealização de um mundo onde homens e mulheres, finalmente, são vistos como iguais nunca esteve tão perto quanto está no momento. Esta concretização, está longe de acontecer, mas as desigualdades de género têm vindo a diminuir verificando-se um decréscimo dos casamentos infantis e da mutilação genital feminina. Ao mesmo tempo, a representatividade politica das mulheres tem vindo a aumentar, passando de 22,3%, em 2015, para 24,9% em 2020. 

Apesar de tudo isto, as mulheres ainda continuam a ser as principais responsaveis pelas tarefas domésticas e a ter que enfrentar diariamente barreiras legais, sociais e económicas.

Ainda na vertente da diminuição de desigualdes e busca por igualdade, verifica-se que o rendimento de 40% da população com menores rendimentos tem vindo a aumentar a um ritmo mais acelerado do que a média nacional. Ainda estamos longe de alcançar a igualdade, mas um passinho mais perto.

Outro foco é garantir o consumo sustentável. Aqui a caminhada está longe de terminar com um crescimento de 38% do desperdicio eletrónico, acampanhado por uma fraca reciclagem dos mesmos. Os equipamentos que vêm como fim a reciclagem é menos de 20%. Cerca de 30% da nossa produção global é desperdiçada. Todos estes comportamentos que nos afastam, cada vez mais, da nossa meta final são evidencia clara da necessidade de consciecializar o mundo para que as futuras geração tenham um planeta para viver e recursos para sobreviver.

O nosso planeta é, por isso, também alvo de atenção. E como está a nossa Terra? 

A temperatura média global tem vindo a subir e, em 2018, encontrava-se 1º C acima da base pré-industrial. O  investimento em combustivés fósseis continua a ser superior ao investimento em atividades climáticas com uma diferença de 100 milhões.  Contudo, entre os anos de 2015 e 2016 verificou-se um aumento de 17% destes investimentos. Ainda há muito para fazer e, por isso, todos temos que arregaçar as mangas e adotar comportamentos mais sustentáveis e amigos do ambiente.

Estas são apenas algumas das evoluções que se verificaram desde 2015 após 195 países terem tomado uma ação e definido os ODS. Agora é a tua vez de te juntares a esta luta para que os nossos filhos e netos possam viver num mundo mais equalitário, justo, responsável e sustentável. Faz a tua contribuição e consciencializa todos os que te rodeiam, pois a consciencialização é o primeiro passo para a conquista de um mundo melhor.

Os nossos companheiros de 4 patas!

No inicio de 2020 o mundo deparou-se com uma pandemia, cujo fim ainda não conhecemos, e com ela trouxe bastantes incertezas e dúvidas sobre o futuro de todos nós! Mas não foi apenas o nosso futuro que se tornou mais incerto, o dos nossos fieis companheiros de 4 patas também ficou mais nublado.

Com a chegada da pandemia e do confinamento foram várias as pessoas que decidiram adotar um animal de estimação para diminuir a solidão e adquirir um companheiro fiel. Contudo, a chegada do desconfinamento, a incerteza financeira e económica, entre outros fatores, levaram a que vários animais vissem a sua família, o seu companheiro humano, a deixá-lo sozinho e abandonado num canil ou à sua própria sorte nas ruas.

Desde março deste ano vários países, incluindo Portugal, registaram um aumento exponencial dos abandonos de animais e, simultaneamente, a uma diminuição das doações e contributos a canis para estes darem resposta às suas despesas.

Neste cenário, e segundo um estudo realizado pela associação Animalife, existem concelhos em Portugal onde se verificou um aumento de 25% do abandono de animais.

Desde 2014 que os animais de estimação, adquiriram o estatuto de animais de companhia, tornando-os um membro da família, numa perspetiva legal. Passou-se a poder punir o seu agressor com até um ano de prisão. Apesar deste avanço para a vida dos nossos companheiros, apenas 5% das denúncias feitas são levadas a julgamento e a esmagadora maioria dos agressores é condenado apenas ao pagamento de uma multa.

Entre os anos de 2015 e 2018 verificaram-se um total de 4757 denúncias de maus tratos. Por outras palavras, diariamente a PSP e a GNR receberam 3,26 chamadas a reportar maus tratos a animais. Em 2019, o cenário já era mais grave, com 4142 denúncias à GNR, correspondendo a 11,35 chamadas diárias, apenas neste ano. 

Se nos focarmos nos dados conhecidos relativamente ao abandono de animais, verificamos que, em 2015, quase 30 mil animais foram abandonados e recolhidos por canis e outras entidades. Destes, nem metade encontrou uma nova família…

Desde então, tanto o número de animais recolhidos quanto o número de animais adotados têm aumentado, mas o crescimento do primeiro continua a ser superior ao número de adoções.

Ao longo dos anos, muitas associações têm tentado dar voz aos seres de 4 patas, mas a verdade é que esta problemática está longe de ser resolvida. E, adicionalmente, surgem um conjunto de estudos que nos revelam que o abandono e os maus tratos a animais são, também um indicio de coportamentos agressivos que podem acabar por ser dirigidos a outros seres humanos.

Tudo isto, torna bastante evidente a urgência de tomar uma ação. Estes pequenos seres fazem parte das nossas famílias e nunca nos abandonam, então porque motivo nos os abandonamos? Porque motivo deixamos um membro da família para trás?

E tu? Tu que estás a ler este texto e só te questionas sobre o que podes fazer para ajudar, começa por consciencializar os teus amigos e familiares que têm um animal de companhia, ou tencionam adotar um para a responsabilidade que têm para com o membro de 4 patas. Lembra-os que os animais não são um pequeno acessório que fica bem no feed do Instagram ou quando saiem à rua e que podem deitar fora quando se cansam deles. Os animais de companhia também sentem medo, alegria e tristeza. Eles também têm sentimentos e merecem todo o carinho que lhes conseguirmos dar.

Conciencializa todos ao teu redor não só para a responsabilidade de ter um animal de companhia, mas também sobre a forma como devem agir se assistirem ou souberem de um animal que sofra maus tratos. Nestas situações, é importante que se contacte a Autoridade policial da zona ou a linha SOS Ambiente e Território (808 200 520).

Achas que todas estas medidas não são suficientes e é preciso tomar uma ação? Achas que é preciso começar a dar voz aos nossos melhores amigos? A ONU concorda contigo e, por isso, definiu a Vida na Terra como um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que quer concretizar até 2030. Para tal, criou o SDG15 – Life on Land.

Como é que podes contribuir? Para além de todas as dicas que te fomos dando ao longo do artigo, ajuda sempre um animal quando o vês abandonado ou a ser maltratado… Se não conseguires ajudar, chama alguém que o possa fazer, mas nunca fiques como mero espectador. Ficar de braços cruzados é compactuar com todos estes comportamentos!
Simultaneamente, podes desenvolver o líder que há em ti através de uma das experiências de voluntariado internacional da AIESEC, enquanto contribuis para o alcance deste e outros SDGs definidos pela ONU. Precisamos de começar a consciencializar as crianças e jovens para a importância de cuidar dos nossos animais de estimação e nunca lhes infligir dor ou abandonar os mesmos.

É altura de agir, dar um passo em frente e lutar para que os melhores amigos do homem deixem de ser abandonados ou maltratados… Se não queres ficar parado, podes descobrir todas as oportunidades de voluntariado da AIESEC em: aiesec.org.

O Pantanal está a arder!

O Pantanal mato-grossence, no Brasil, considerado a maior zona húmida do planeta, está a arder há mais de 40 dias, colocando em perigo várias espécies animais e toda a biodiversidade que existe na região.

Com base nas investigações realizadas no local foi possível apurar que a causa dos fogos que provocaram a destruição de cerca de 1,7 milhões de hectares foi humana, quer intencional, quer acidental, à qual acrescem o calor e vegetação seca como potencializadores do aparecimento de novos focos de incêndio.

As repercussões destes incêndios são diversas, desde a perda de fauna e flora até a impactos na saúde e economia. A economia da região é fortemente dependente do turismo. E, segundo estudos realizados com o intuito de analisar o efeito dos incêndios na saúde, as queimadas aumentam o risco de problemas respiratórios em 36%. Simultaneamente, verificou-se um aumento dos internamentos infantis cinco vezes superiores ao esperado devido à existência dos resíduos tóxicos gerados pelos incêndios na água que é consumida.

A estes cenários e números, junta-se a perda de cerca de 10,3% da vegetação, tendo-se registando o maior número de incêndios neste bioma desde 1998 no mês de Jullho.

Adicionalmente, de todas as espécies animais em risco destaca-se a arara-azul, uma espécie em extinção cujo maior refúgio mundial se encontra no pantanal, correspondendo a 25 mil hectares. Deste refúgio de araras já mais de 70% ardeu, colocando em risco as 700 araras-azuis que lá se encontram. Estima-se que existam apenas 6500 araras-azuis no momento, número que pode ser diminuído devido a este cenário.

Claramente, estes incêndios colocam em risco a vida de várias espécies animais e vegetais, colocando em causa a biodiversidade da região e o processo de recuperação da mesma pode levar décadas.

Nós, enquanto jovens temos a possibilidade de agir e tomar uma ação para que esta situação não se repita. É cada vez mais importante consciencializar as pessoas à nossa volta para a prevenção do nosso planeta e para a proteção da nossa biodiversidade. 

Enquanto jovens temos o dever de garantir que as pessoas estão informadas acerca dos cuidados que devem ter quando estão a fazer queimadas e, acima de tudo, que não há um planeta B e os recursos de que dispomos atualmente não são infinitos.

É neste sentido que a ONU definiu a Vida na Terra como um dos seus objetivos de desenvolvimento sustentável a cumprir até 2030, levando ao aparecimento do SDG15 – Life on Land.

E como é que tu podes contribuir para este objetivo? O simples facto de consciencializares as pessoas ao redor já é um  grande contributo para a sobrevivência do nosso planeta, pois as pessoas terão mais consciência sobre as consequências do seus atos.

Ao mesmo tempo, podes descobrir e desenvolver o líder que há em ti enquanto contribuis para este Objetivo de Desenvolvimento Sustentável em qualquer um dos vários projetos de voluntariado da AIESEC.

É o teu momento de agir, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que todos continuemos a ter um planeta para viver… Se ficaste curioso, podes descobrir mais em aiesec.org.

AIESEC Experience

Não me lembro de existir sem ter o sonho de ir a África. Era o maior plano que tinha. Daqueles planos que, sem saber bem explicar, tens a certeza absoluta que vais concretizar. A verdade é que este sonho foi sendo adiado até ao último momento. Quando acabei o mestrado decidi que tinha chegado a altura. Comecei a pesquisar organizações e programas de voluntariado até que encontrei a AIESEC.

Inscrevi-me e entrei logo em contacto com a pessoa responsável por me acompanhar ao longo de todo o processo (Maria Beatriz). Comecei a ver vários projetos, um pouco por todo o mundo, mas a maioria em África. Sabia que queria trabalhar com crianças e que preferia ir para um país onde se falasse português. A Maria Beatriz ajudou-me muito nesta fase e apresentou-me 3/4 projetos para escolher. Finalmente decidi: ia trabalhar num orfanato na cidade da Beira em Moçambique.

Quando escolhi finalmente o meu projeto, faltava pouco mais de um mês para partir à aventura. Assim, esse mês foi preenchido a tratar de voos, vistos, seguros de saúde e toda a papelada necessária. Estava muito ansiosa, um pouco nervosa até. Afinal de contas ia para uma realidade muito diferente da minha e não conhecia lá ninguém. Felizmente deram-me o contacto de uma rapariga que já lá estava e que ia trabalhar comigo no orfanato, o que facilitou muito as coisas.

Quando lá cheguei fui muito bem recebida pelas pessoas da AIESEC in Beira. Levaram-me a casa, apresentaram-me, mostraram-me a cidade. Fizeram-me sentir muito apoiada em tudo. Nos primeiros dias tive que tratar de alguns assuntos relacionados com o visto e tive que me apresentar no orfanato, sempre acompanhada por alguém da AIESEC, na maior parte das vezes a minha buddy.

Também no início da experiência conheci a minha família de acolhimento e a voluntária que vivia connosco e que passou a ser parte da minha família. Esta parte não podia ter sido melhor! Aprendemos a viver numa casa cheia de gente, a tomar banho de caneca, a fazer matapa de couve, a ralar cocô, a ter o quarto sempre cheio de miúdos, a ser cumprimentadas pelos vizinhos, a dormir sempre dentro da rede mosquiteira e a adormecer com o cheiro a repelente. Fomos mesmo muito felizes na casa da tia Maria!

Saía de casa, apanhava o chapa e ia para o orfanato onde era ainda mais feliz do que em casa. Passava a manhã a tomar conta de bebés: a dar colo, a cantar músicas, a mudar fraldas, a dar papas e a aprender coisas novas com as titias que lá trabalhavam. Também aqui tinha uma grande amiga que me acompanhava em tudo isto. A nossa principal função era estar com os bebés, mas sempre que era preciso ajudavamos noutras coisas: íamos com algumas crianças à praia, organizavamos donativos…

Ao longo de toda a minha experiência, para além do apoio das pessoas da AIESEC in Beira, mantive sempre o contacto com a Maria Beatriz, que me contactava regularmente para saber como estava a correr a minha experiências.

A relação com as pessoas da AIESEC in Beira ia muito para além do estritamente necessário. Apoiavam-me em todas as coisas mais burocráticas, mas para além disso estavam muito presentes no dia-a-dia. Íamos passear pela cidade, almoçar fora, jantar a casa de alguém da AIESEC e até passear para um pouco mais longe, quando possível. 

Decidir partir nesta experiência foi a melhor decisão que tomei até hoje. Como diz uma grande amiga minha, estar na Beira ajudou-me a rebentar a bolha em que vivia e a alargar horizontes. Aprendi que aquilo que num dia vejo como choque cultural, daí  uma semana já pode ser a minha realidade. Aprendi a desenrascar-me, a não julgar as realidades dos outros e percebi o quanto se pode ganhar quando saímos da nossa zona de conforto. E tu? Já decidiste para onde vais partir? Arrisca e inscreve-te em: aiesec.org.

Mariana Monteiro

A saúde mental importa

40 segundos! É este o intervalo de tempo entre dois suícidios. Segundo a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida e não sobrevive. De lado deixamos as tentativas de suicídio e todos os ferimentos que são autoflagelados, ambos sintomas claros de alguém que precisa de ajuda psicológica.

Os países mais desenvolvidos e com maiores rendimentos são aqueles que apresentam menores taxas de suicídio. Este é o nosso raciocínio lógico, pois têm uma melhor estrutura e capacidade para prevenir o suicídio e prestar apoio à sua população, mas tal não corresponde à verdade. A verdade, é que nos países com maiores rendimentos se verifica uma taxa de suicídio três vezes superior à dos países de médio e baixo rendimento.

Os suicídios cometidos por homens é 1,8 vezes superior aos cometidos pelas mulheres, num contexto global. Se olharmos para os países com rendimentos elevados esta relação duplica: os homens a cometer suicídio são três vezes superiores às mulheres.

Em Portugal, 1450 pessoas suicidaram-se em 2016, representando uma taxa de suícidio de 14% por cada 100 mil habitantes.

Todos estes números elevados levam a que a OMS apela aos países para começarem a criar estratégias de prevenção do suicídio. Apenas 38 países, dos quais Portugal faz parte, têm estratégias de prevenção.

O suicídio tira mais vidas do que o cancro da mama, as guerras e a malária. O suicídio é a segunda maior causa de morte dos jovens, entre os 15 e os 29 anos. A ausência de saúde mental tira-nos mais vidas e mais futuro do que a ausência de saúde física! 

É um pedido, um aviso de todos aqueles que já não podem sonhar com um futuro… Um pedido para que quebremos mais um tabu e para que mais uma construção de séculos seja desconstruída: o psicólogo é para loucos. Não é, e é a hora de agirmos para que não percamos mais vidas quando podíamos ter lutado por elas.

É neste sentido que surge a campanha internacional “Setembro Amarelo” focada em consciencializar a população para a prevenção do suicídio e para a existência desta problemática, assim como, para o combate do estigma e promoção da saúde mental. 

Esta campanha, como o próprio nome o indica, decorre durante o mês de Setembro, mas os suicídios não ocorrem apenas em Setembro. O suicídio ocorre todos os dias a cada 40 segundos e é importante não esquecer e não ignorar esta problemática a partir de 1 de outubro.

É preciso conhecer os sinais de alarme e consciencializar aqueles que nos são mais próximos para esta problemática e para a forma como podemos identificar sinais de alarme e impedir que, dali a 40 segundos, mais uma vida se perca.

São alguns fatores de risco para comportamentos suicidas a tristeza e sofrimento profundos; o isolamento social e baixa autoestima; as alterações repentinas de humor; o consumo de bebidas alcoólicas ou substâncias ilícitas; sentimentos de culpa e desvalorização pessoal; mencionar a temática da morte ou do suicídio com frequência; referir a intenção de cometer suicídio. Outros fatores como, discriminação (racial, devido à orientação sexual ou identidade de género, entre outras); situação política, económica e financeira; perda do emprego ou de um ente querido; conflitos familiares; entre outros podem também aumentar a tendência para a adoção de comportamentos suicidas.

Depois de reconhecidos os sinais de alarme é, também, importante saber como lidar com a situação. Se te deparares com alguém que apresenta comportamentos de risco não desvalorizes ou minimizes o sofrimento pelo qual a pessoa está a passar; ouve o que a pessoa tem a dizer com atenção e tenta perceber o que se passa e, até mesmo, como podes ajudar; não critiques e tenta compreender as razões que levam a pessoa a considerar o suicídio; tenta perceber de que forma a pessoa cometeria o suicídio; transmite empatia e confiança, pois a pessoa pode acabar por desabafar ou encontrar algum conforto em ti e, consequentemente, ter maior facilidade em lidar com os seus problemas; ajuda a pessoa a encontrar soluções para os problemas; sugere que recorra a ajuda especializada como o psiquiatra ou psicólogo.

Conhecer os comportamentos de risco, as formas como podes agir e consciencializar aqueles que te rodeiam são apenas algumas das ações que podes ter para ajudar o outro. 

Se tu próprio estás a passar por uma situação difícil e consideras que podes ter alguns dos comportamentos de risco que mencionamos, lembra-te que há alguém sempre disposto a ouvir-te. Lembra-te que no meio da escuridão à sempre uma luzinha, por mais pequenina que seja, pela qual vale a pena lutar e a tua vida importa, sim! 

Se não consegues lidar com a situação sozinho, não há qualquer problema em pedir ajuda. Não precisamos de carregar o mundo inteiro nas costas! Sofrimento dividido é sofrimento pela metade! 

São alguns números para os quais podes ligar para dividir o peso de teu mundo a SOS Voz Amiga (213 544 545 / 912 802 669 / 963 524 660), Telefone da amizade (228 323 535), Escutar – Voz de Apoio – Gaia (225 506 070), SOS Estudante (969 554 545), Vozes Amigas de Esperança (222 080 707), Centro Internet Segura (800 219 090), Conversa Amiga (808 237 327 / 210 027 159) e Telefone da Esperança (222 030 707).

Para ti que queres impactar o mundo, que queres impactar e salvar vidas. Que queres que os 40 segundos se transformem em 40 minutos, 40 horas, 40 dias, 40 meses, … é a hora de tomares uma ação e dar voz às vidas que já perdemos para que mais vidas não sejam perdidas.

É a hora de tomares uma ação e contribuires para um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDG) da ONU até 2030: o SDG 3 – Good health and well-being. Este SDG foca-se em assegurar uma vida saudável e em promover o bem-estar para todas as pessoas, em todas as idades.

Lembra-te que saúde, no sentido global da palavra, é o bem-estar físico, mental e social de uma pessoa! Por isso, é altura de quebrar mais um tabu e lutar para que as 800 mil mortes anuais se transformem em 0, porque ninguém é julgado por pedir ajuda psicológica e porque ninguém tem medo de a pedir.

Achas que não é suficiente consciencializares apenas aqueles que te rodeiam? Podes consciencializar uma comunidade inteira através dos projetos de voluntariado da AIESEC associdados ao SDG3 para que saúde mental não seja um tabu, enquanto te desenvolves e descobres o líder que há em ti.

É o teu momento de impactar, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, nenhuma pessoa considere suicidar-se… É preciso agir para que, no futuro, todos consigamos ter a coragem de pedir ajuda, porque ninguém precisa de ser forte 24h por dia. Se ficaste curioso e queres quebrar estigmas, toma uma ação e descobre mais sobre os nossos programas de voluntariado em aiesec.org.

A luta da comunidade LGBT+

Arco-irís. É este o símbolo de uma comunidade oprimida e impedida de ser ela própria, mas que todos os dias luta para estar cada vez mais perto da aceitação pela sociedade. A comunidade LGBTQ+ é composta por um grande número de pessoas que pertencem a minorias que a sociedade desde cedo rejeitou por não serem “normais” ou serem “pouco convencionais”.

Na sociedade atual, pouco a pouco, homossexuais, bissexuais, transexuais, … deixam de compactuar com uma sociedade preconceituosa que os faça “permanecer no armário” e saem para as ruas a reivindicar os seus direitos.

Contudo, ao contrário do que seria de se esperar de uma sociedade tão desenvolvida e em pleno século XXI, o medo e a insegurança ainda são uma realidade para estas pessoas. Estas pessoas ainda têm medo da rejeição, das críticas e, acima de tudo, dos ataques e do preconceito. Afinal, são vários os episódios que nos demonstram, e entristecem, em que pessoas são agredidas e julgadas apenas por serem elas mesmas.

Na Chechénia, a comunidade LGBTQ+ viu-se obrigada a criar redes ilegais nas cidades de Moscovo e São Petersburgo para alojarem os seus membros, de forma a evitarem a perseguição e a tortura. Estes atos contra os direitos humanos são apoiados pelo governo e forças de segurança russas que levam os cidadãos a culpar as pessoas LGBTQ+ de todos os problemas da sociedade e a pressionar as famílias destas pessoas a matá-las sob a justificação de “assassinatos de honra”. 

Infelizmente, a Rússia não é um caso isolado. A ela juntam-se campanhas contra a comunidade LGBTQ+ na Polónia, o número crescente de ataques contra pessoas LGBTQ+ na Alemanha – foram 245 crimes de ódio em 2019, contra apenas 50 em 2013 – entre muitos outros.

Em Portugal, o cenário não é tão gritante, mas nem por isso mais animador: de acordo com o relatório “Society at a Glance 2019”, Portugal é um dos oito países da OCDE onde se verifica um maior nível de discriminação contra as pessoas homossexuais. Ainda neste relatório, foi possível perceber que a perceção da discriminação é superior nas pessoas transexuais, face às homossexuais.

No que se refere a atos de violência contra a comunidade LGBTQ+, o cenário português é mais animador, quando verificamos que, nos últimos 5 anos, é o país da UE que apresenta menor número de agressões físicas e sexuais contra pessoas LGBTQ+

Esta realidade, acompanhada por todos os anos de medo da rejeição e aceitação da pessoa que são acabam por ajudar a explicar a cruel realidade de que os jovens LGBTQ+ pensam três vezes mais em suicídio do que as pessoas cis heterossexuais (pessoas que se identificam com o género atribuído à nascença e se sentem atraídas por pessoas do sexo oposto). A probabilidade de este pensamento se tornar uma realidade é cinco vezes superior.

Números elevados, certo? O peso que a discriminação ou atos de violência podem ter na vida de alguém! Não seria mais simples, mais fácil, mais reconfortante se estes números não fossem uma realidade?

Certamente que sim, mas somos humanos. Somos humanos e rejeitamos, marginalizamos e oprimimos tudo o que é diferente, tudo o que foge à normalidade que nos foi ensinada, mas somos humanos. Como seres humanos podemos escolher mudar, desenvolvermos-nos, aprendermos e começar a trabalhar para aceitar o outro.

Somos humanos e a mudança é uma constante. Então, porque não mudar para melhor? “Como?” queres tu saber… 

Pequenos gestos ou mudanças no nosso comportamento podem fazer toda a diferença. O simples facto de deixarmos de usar determinadas expressões homofóbicas, transfóbicas, … ou de consciencializarmos os outros para serem melhores ou mudarem a forma como se expressam e se dirigem à comunidade LGBTQ+ pode, literalmente, salvar vidas.

Assim, há um conjunto de expressões que deves evitar quando estás a lidar com pessoas transexuais (pessoas que não se identificam com o género que lhes foi atribuído à nascença), não binárias (pessoas cuja identidade de género não se limita ao feminino ou masculino), bissexuais (pessoas que se sentem atraídas, sentimental ou sexualmente, por ambos os sexos) e homossexuais (pessoas que se sentem atraídas, sentimental ou sexualmente, por alguém do mesmo sexo).

Quando estiveres a lidar com pessoas transexuais nunca perguntes pelo seu nome de nascença – é um nome com o qual não se identificam e, por isso, sentir-se-ão desconfortáveis perante essa questão;  nunca digas que a pessoa em causa não será homem/mulher de verdade – se a pessoa se identifica com o género masculino ou feminino, então ela é homem ou mulher, sim; não tires conclusões sobre a sua orientação sexual – orientação sexual e identidade de género são coisas diferentes e independentes; não utilizes as expressões “homem que virou mulher” ou “mulher que virou homem” – são expressões ofensivas e que não refletem a realidade, pois a pessoa simplesmente é homem ou mulher.

Quando estiveres a lidar com pessoas não-binárias nunca perguntes se é homem ou mulher – se é uma pessoa não-binária, então não se define como homem ou mulher; não perguntes se é intersexual (pessoas que nascem com características sexuais biológicas que não se inserem na categoria “feminino” ou “masculino”) – são termos diferentes que se referem a pessoas com características diferentes; não digas que “isso de não ser homem nem mulher não existe” ou questiones “o que és?” – não te cabe a ti julgar o outro e todos somos seres humanos que temos o direito de ser nós próprios.

Quando estiveres a lidar com pessoas bissexuais não digas que a pessoa está confusa/indecisa; não digas que as pessoas são, na realidade, homossexuais – não o são, são bissexuais, ponto; caso a pessoa tenha um/a parceiro/a não questiones sobre os ciúmes que existem ou possam existir na relação –  ser bissexual não é sinónimo de infidelidade.

Quando estiveres a lidar com pessoas homossexuais não menciones que estas têm SIDA – ser homossexual não é sinónimo de ser portador desta doença, isso é algo que surgiu de situações passadas por estas pessoas, devido ao medo do preconceito, recorrerem à prostituição e terem relações sem as devidas precauções; não digas que não queres trocar de roupa à frente dessa pessoa – se não te sentires confortável, por qualquer motivo, explica o teu desconforto, mas nunca te sintas desconfortável apenas porque a pessoa é homossexual, pois isso não implica que ela vá “atirar-se a ti”; não digas que a pessoa não parece homossexual – não existem características ou comportamentos próprios de uma pessoa homossexual.

Estes são algumas atitudes que deves procurar evitar quando estiveres a lidar com pessoas da comunidade LGBTQ+ para que estas não se sintam desconfortáveis. Mas mais do que mudar atitudes, é importante começar a consciencializar a nossa sociedade de que todos somos iguais, independentemente da nossa orientação sexual ou identidade de género. É importante começar a quebrar preconceitos e a diminuir todas as desigualdades de que as pessoas LGBTQ+ são vítimas. É neste sentido, e outros, que a ONU definiu a Redução das Desigualdades como um dos seus objetivos a cumprir até 2030, levando ao aparecimento do SDG10 – Reduce Inequalities.

E como é que tu podes contribuir para esta meta? Simples, começa por mudar-te a ti próprio e a aceitar o outro e, ao mesmo tempo, consciencializa a tua família e amigos para a importância de aceitar as outras pessoas. Lembra-te, sempre, que somos todos iguais e todos diferentes! 

Ao mesmo tempo, podes descobrir e desenvolver o líder que há em ti enquanto contribuis para a redução das desigualdades que ainda existem na nossa sociedade em qualquer um dos projetos de voluntariado da AIESEC inerentes ao SDG10, pois é necessário educar os jovens do presente para que os adultos do futuro sejam mais tolerantes à diferença.

É o teu momento de agir, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, nenhuma pessoa considere suicidar-se por apenas ser ela mesma… É preciso agir para que, no futuro, todos consigamos ser nós mesmos sem medo que nos persigam, torturem ou julguem. Se ficaste curioso, queres desconstruir mentalidades e quebrar preconceitos, toma uma ação e descobre mais sobre os nossos programas de voluntariado em aiesec.org.