A HISTÓRIA DA INÊS E DA JOANA

Inês Atienza e Joana Lucas participaram no nosso programa Global Citizen de Setembro a Novembro de 2014, num projeto num orfanato em Ipoh, Malásia. A página de Facebook “Why Not Asia?” que criaram no início da sua viagem, tornou-se com o apoio da Chiado Editora num livro lançado no Museu do Oriente no passado mês de Setembro.

Qual foi a vosso primeiro grande choque, mal chegaram à Malásia?

O primeiro choque que sentimos quando chegámos ao orfanato foi quando nos apercebemos das condições em que íamos viver durante as cinco semanas, pois íamos ficar a dormir em colchões no chão, numa sala de arrumos do orfanato, só tendo um balde para tomar banho. A comida também foi um choque por ser extremamente picante em todas as refeições.

Ao fim de uma semana já tínhamos aprendido a ultrapassar essas adversidades, que rapidamente se tornaram em hábitos. Já íamos preparadas e mentalizadas para os piores cenários, por isso, apesar de ter sido um choque inicial, quando tudo se tornou real, já estávamos um pouco à espera.

Fomos tão bem recebidas e acarinhadas por todos que nos focámos nesses aspectos e na nossa missão, vendo estas diferenças culturais como parte essencial de toda a experiência. Um choque muito positivo foi a facilidade de comunicação que tivemos com as crianças, pois a maioria delas sabia falar o inglês básico.

Como éque as pessoas reagiram ao saberem que vinham do outro lado do mundo?

Fomos muito bem recebidas por todas as pessoas, tanto pela AIESEC UTP (escritório local da AIESEC que nos recebeu), como pela administradora do orfanato e pelas crianças.

Suscitámos imensa curiosidade nas pessoas à nossa volta. As crianças não tinham noção do mapa-mundo, por isso não faziam ideia de onde nós vínhamos. Para eles éramos duas meninas brancas de cabelo comprido que falavam uma língua estranha. Eles queriam muito saber de onde éramos e como era a nossa vida em Portugal.

Fomos admiradas pela coragem de vir de tão longe para um país tão diferente do nosso. Todas as pessoas foram simpáticas connosco e tentaram que nos “sentíssemos em casa”.

Agora que voltaram a Portugal como é que medem o vosso impacto?

O impacto está a ser muito positivo. As pessoas procuram-nos para fazer perguntas sobre o voluntariado, a AIESEC e toda a preparação que esta experiência envolveu, para além de também nos pedirem dicas e conselhos de viagem.

Ficamos muito contentes por ver amigos e conhecidos, partir numa experiência de voluntariado, inspirados na nossa história e, o facto de termos lançado este livro, vai ajudar com certeza nesse aspecto.

Actualmente estamos com mais de mil fãs na nossa página de Facebook, saímos em vários órgãos de comunicação social (LuxWoman, Revista Tabu do jornal SOL e Sapo Online) e a obra já está à venda no país inteiro e também no Brasil. Tem sido muito reconfortante para nós, sentir que o nosso livro e a nossa história têm servido de inspiração a outras pessoas, sobretudo a outros jovens.

Há algo que gostariam de ter feito de forma diferente?

Se hoje tivéssemos a oportunidade de repetir esta experiência com certeza que haveriam coisas que faríamos de maneira diferente. No entanto, partimos para esta experiência com um espírito muito aberto e preparadas para um choque cultural muito grande. Nunca existe uma preparação que seja tão verídica quanto a realidade, mas o facto de irmos com esse pensamento, ajudou-nos muito a superar as dificuldades e a encarar tudo com descontração e determinação. Provavelmente, o que faríamos de forma diferente seria ter ficado mais tempo no orfanato, pois as cinco semanas passaram “a correr” e sentimos que se continuássemos o trabalho que estávamos a desenvolver com as crianças, tínhamos criado ainda mais impacto. Por isso, aconselhamos a quem tencione fazer um estágio de voluntariado que fique o máximo tempo que puder.

Última pergunta, porque não a Ásia?

“Porquê a Ásia?” foi a pergunta que mais nos fizeram quando decidimos fazer voluntariado. Decidimos alterar um pouco a questão para “Porque não a Ásia?” e foi assim que acabamos por dar o nome à nossa página e, mais tarde, ao livro. Não sabíamos ao certo o porquê, mas foi a decisão que tomámos as duas, pois o que sabíamos é que queríamos ir para um lugar culturalmente, geograficamente e socialmente muito diferente de Portugal. Queríamos sair da nossa zona de conforto e desafiar-nos. Achámos que a Malásia seria um óptimo local para cumprirmos a nossa missão e vivermos a nossa aventura e, então, através da página de Facebook, que foi uma forma de mantermos contacto com a família e amigos, fomos contando os porquês e tudo foi fazendo sentido.

Agora, um ano mais tarde, sabemos que não podíamos ter feito uma escolha diferente. Fomos ao desconhecido e saímos de lá com um sentimento de gratidão por tudo o que vivemos e aprendemos. Sentimos que nos despedimos com um “até já” e que um dia, com toda a certeza, iremos lá regressar.

Foram nove semanas intensas: cinco semanas de voluntariado na Malásia, seguidas por uma viagem de mochila às costas pelo Camboja, Tailândia e Indonésia que nos fizeram apaixonar pelo continente asiático e tornar esta experiência inesquecível.

 

João Ribeiro

Public Relations Manager
AIESEC Portugal

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