A luta da comunidade LGBT+

Arco-irís. É este o símbolo de uma comunidade oprimida e impedida de ser ela própria, mas que todos os dias luta para estar cada vez mais perto da aceitação pela sociedade. A comunidade LGBTQ+ é composta por um grande número de pessoas que pertencem a minorias que a sociedade desde cedo rejeitou por não serem “normais” ou serem “pouco convencionais”.

Na sociedade atual, pouco a pouco, homossexuais, bissexuais, transexuais, … deixam de compactuar com uma sociedade preconceituosa que os faça “permanecer no armário” e saem para as ruas a reivindicar os seus direitos.

Contudo, ao contrário do que seria de se esperar de uma sociedade tão desenvolvida e em pleno século XXI, o medo e a insegurança ainda são uma realidade para estas pessoas. Estas pessoas ainda têm medo da rejeição, das críticas e, acima de tudo, dos ataques e do preconceito. Afinal, são vários os episódios que nos demonstram, e entristecem, em que pessoas são agredidas e julgadas apenas por serem elas mesmas.

Na Chechénia, a comunidade LGBTQ+ viu-se obrigada a criar redes ilegais nas cidades de Moscovo e São Petersburgo para alojarem os seus membros, de forma a evitarem a perseguição e a tortura. Estes atos contra os direitos humanos são apoiados pelo governo e forças de segurança russas que levam os cidadãos a culpar as pessoas LGBTQ+ de todos os problemas da sociedade e a pressionar as famílias destas pessoas a matá-las sob a justificação de “assassinatos de honra”. 

Infelizmente, a Rússia não é um caso isolado. A ela juntam-se campanhas contra a comunidade LGBTQ+ na Polónia, o número crescente de ataques contra pessoas LGBTQ+ na Alemanha – foram 245 crimes de ódio em 2019, contra apenas 50 em 2013 – entre muitos outros.

Em Portugal, o cenário não é tão gritante, mas nem por isso mais animador: de acordo com o relatório “Society at a Glance 2019”, Portugal é um dos oito países da OCDE onde se verifica um maior nível de discriminação contra as pessoas homossexuais. Ainda neste relatório, foi possível perceber que a perceção da discriminação é superior nas pessoas transexuais, face às homossexuais.

No que se refere a atos de violência contra a comunidade LGBTQ+, o cenário português é mais animador, quando verificamos que, nos últimos 5 anos, é o país da UE que apresenta menor número de agressões físicas e sexuais contra pessoas LGBTQ+

Esta realidade, acompanhada por todos os anos de medo da rejeição e aceitação da pessoa que são acabam por ajudar a explicar a cruel realidade de que os jovens LGBTQ+ pensam três vezes mais em suicídio do que as pessoas cis heterossexuais (pessoas que se identificam com o género atribuído à nascença e se sentem atraídas por pessoas do sexo oposto). A probabilidade de este pensamento se tornar uma realidade é cinco vezes superior.

Números elevados, certo? O peso que a discriminação ou atos de violência podem ter na vida de alguém! Não seria mais simples, mais fácil, mais reconfortante se estes números não fossem uma realidade?

Certamente que sim, mas somos humanos. Somos humanos e rejeitamos, marginalizamos e oprimimos tudo o que é diferente, tudo o que foge à normalidade que nos foi ensinada, mas somos humanos. Como seres humanos podemos escolher mudar, desenvolvermos-nos, aprendermos e começar a trabalhar para aceitar o outro.

Somos humanos e a mudança é uma constante. Então, porque não mudar para melhor? “Como?” queres tu saber… 

Pequenos gestos ou mudanças no nosso comportamento podem fazer toda a diferença. O simples facto de deixarmos de usar determinadas expressões homofóbicas, transfóbicas, … ou de consciencializarmos os outros para serem melhores ou mudarem a forma como se expressam e se dirigem à comunidade LGBTQ+ pode, literalmente, salvar vidas.

Assim, há um conjunto de expressões que deves evitar quando estás a lidar com pessoas transexuais (pessoas que não se identificam com o género que lhes foi atribuído à nascença), não binárias (pessoas cuja identidade de género não se limita ao feminino ou masculino), bissexuais (pessoas que se sentem atraídas, sentimental ou sexualmente, por ambos os sexos) e homossexuais (pessoas que se sentem atraídas, sentimental ou sexualmente, por alguém do mesmo sexo).

Quando estiveres a lidar com pessoas transexuais nunca perguntes pelo seu nome de nascença – é um nome com o qual não se identificam e, por isso, sentir-se-ão desconfortáveis perante essa questão;  nunca digas que a pessoa em causa não será homem/mulher de verdade – se a pessoa se identifica com o género masculino ou feminino, então ela é homem ou mulher, sim; não tires conclusões sobre a sua orientação sexual – orientação sexual e identidade de género são coisas diferentes e independentes; não utilizes as expressões “homem que virou mulher” ou “mulher que virou homem” – são expressões ofensivas e que não refletem a realidade, pois a pessoa simplesmente é homem ou mulher.

Quando estiveres a lidar com pessoas não-binárias nunca perguntes se é homem ou mulher – se é uma pessoa não-binária, então não se define como homem ou mulher; não perguntes se é intersexual (pessoas que nascem com características sexuais biológicas que não se inserem na categoria “feminino” ou “masculino”) – são termos diferentes que se referem a pessoas com características diferentes; não digas que “isso de não ser homem nem mulher não existe” ou questiones “o que és?” – não te cabe a ti julgar o outro e todos somos seres humanos que temos o direito de ser nós próprios.

Quando estiveres a lidar com pessoas bissexuais não digas que a pessoa está confusa/indecisa; não digas que as pessoas são, na realidade, homossexuais – não o são, são bissexuais, ponto; caso a pessoa tenha um/a parceiro/a não questiones sobre os ciúmes que existem ou possam existir na relação –  ser bissexual não é sinónimo de infidelidade.

Quando estiveres a lidar com pessoas homossexuais não menciones que estas têm SIDA – ser homossexual não é sinónimo de ser portador desta doença, isso é algo que surgiu de situações passadas por estas pessoas, devido ao medo do preconceito, recorrerem à prostituição e terem relações sem as devidas precauções; não digas que não queres trocar de roupa à frente dessa pessoa – se não te sentires confortável, por qualquer motivo, explica o teu desconforto, mas nunca te sintas desconfortável apenas porque a pessoa é homossexual, pois isso não implica que ela vá “atirar-se a ti”; não digas que a pessoa não parece homossexual – não existem características ou comportamentos próprios de uma pessoa homossexual.

Estes são algumas atitudes que deves procurar evitar quando estiveres a lidar com pessoas da comunidade LGBTQ+ para que estas não se sintam desconfortáveis. Mas mais do que mudar atitudes, é importante começar a consciencializar a nossa sociedade de que todos somos iguais, independentemente da nossa orientação sexual ou identidade de género. É importante começar a quebrar preconceitos e a diminuir todas as desigualdades de que as pessoas LGBTQ+ são vítimas. É neste sentido, e outros, que a ONU definiu a Redução das Desigualdades como um dos seus objetivos a cumprir até 2030, levando ao aparecimento do SDG10 – Reduce Inequalities.

E como é que tu podes contribuir para esta meta? Simples, começa por mudar-te a ti próprio e a aceitar o outro e, ao mesmo tempo, consciencializa a tua família e amigos para a importância de aceitar as outras pessoas. Lembra-te, sempre, que somos todos iguais e todos diferentes! 

Ao mesmo tempo, podes descobrir e desenvolver o líder que há em ti enquanto contribuis para a redução das desigualdades que ainda existem na nossa sociedade em qualquer um dos projetos de voluntariado da AIESEC inerentes ao SDG10, pois é necessário educar os jovens do presente para que os adultos do futuro sejam mais tolerantes à diferença.

É o teu momento de agir, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, nenhuma pessoa considere suicidar-se por apenas ser ela mesma… É preciso agir para que, no futuro, todos consigamos ser nós mesmos sem medo que nos persigam, torturem ou julguem. Se ficaste curioso, queres desconstruir mentalidades e quebrar preconceitos, toma uma ação e descobre mais sobre os nossos programas de voluntariado em aiesec.org.

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