A saúde mental importa

40 segundos! É este o intervalo de tempo entre dois suícidios. Segundo a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida e não sobrevive. De lado deixamos as tentativas de suicídio e todos os ferimentos que são autoflagelados, ambos sintomas claros de alguém que precisa de ajuda psicológica.

Os países mais desenvolvidos e com maiores rendimentos são aqueles que apresentam menores taxas de suicídio. Este é o nosso raciocínio lógico, pois têm uma melhor estrutura e capacidade para prevenir o suicídio e prestar apoio à sua população, mas tal não corresponde à verdade. A verdade, é que nos países com maiores rendimentos se verifica uma taxa de suicídio três vezes superior à dos países de médio e baixo rendimento.

Os suicídios cometidos por homens é 1,8 vezes superior aos cometidos pelas mulheres, num contexto global. Se olharmos para os países com rendimentos elevados esta relação duplica: os homens a cometer suicídio são três vezes superiores às mulheres.

Em Portugal, 1450 pessoas suicidaram-se em 2016, representando uma taxa de suícidio de 14% por cada 100 mil habitantes.

Todos estes números elevados levam a que a OMS apela aos países para começarem a criar estratégias de prevenção do suicídio. Apenas 38 países, dos quais Portugal faz parte, têm estratégias de prevenção.

O suicídio tira mais vidas do que o cancro da mama, as guerras e a malária. O suicídio é a segunda maior causa de morte dos jovens, entre os 15 e os 29 anos. A ausência de saúde mental tira-nos mais vidas e mais futuro do que a ausência de saúde física! 

É um pedido, um aviso de todos aqueles que já não podem sonhar com um futuro… Um pedido para que quebremos mais um tabu e para que mais uma construção de séculos seja desconstruída: o psicólogo é para loucos. Não é, e é a hora de agirmos para que não percamos mais vidas quando podíamos ter lutado por elas.

É neste sentido que surge a campanha internacional “Setembro Amarelo” focada em consciencializar a população para a prevenção do suicídio e para a existência desta problemática, assim como, para o combate do estigma e promoção da saúde mental. 

Esta campanha, como o próprio nome o indica, decorre durante o mês de Setembro, mas os suicídios não ocorrem apenas em Setembro. O suicídio ocorre todos os dias a cada 40 segundos e é importante não esquecer e não ignorar esta problemática a partir de 1 de outubro.

É preciso conhecer os sinais de alarme e consciencializar aqueles que nos são mais próximos para esta problemática e para a forma como podemos identificar sinais de alarme e impedir que, dali a 40 segundos, mais uma vida se perca.

São alguns fatores de risco para comportamentos suicidas a tristeza e sofrimento profundos; o isolamento social e baixa autoestima; as alterações repentinas de humor; o consumo de bebidas alcoólicas ou substâncias ilícitas; sentimentos de culpa e desvalorização pessoal; mencionar a temática da morte ou do suicídio com frequência; referir a intenção de cometer suicídio. Outros fatores como, discriminação (racial, devido à orientação sexual ou identidade de género, entre outras); situação política, económica e financeira; perda do emprego ou de um ente querido; conflitos familiares; entre outros podem também aumentar a tendência para a adoção de comportamentos suicidas.

Depois de reconhecidos os sinais de alarme é, também, importante saber como lidar com a situação. Se te deparares com alguém que apresenta comportamentos de risco não desvalorizes ou minimizes o sofrimento pelo qual a pessoa está a passar; ouve o que a pessoa tem a dizer com atenção e tenta perceber o que se passa e, até mesmo, como podes ajudar; não critiques e tenta compreender as razões que levam a pessoa a considerar o suicídio; tenta perceber de que forma a pessoa cometeria o suicídio; transmite empatia e confiança, pois a pessoa pode acabar por desabafar ou encontrar algum conforto em ti e, consequentemente, ter maior facilidade em lidar com os seus problemas; ajuda a pessoa a encontrar soluções para os problemas; sugere que recorra a ajuda especializada como o psiquiatra ou psicólogo.

Conhecer os comportamentos de risco, as formas como podes agir e consciencializar aqueles que te rodeiam são apenas algumas das ações que podes ter para ajudar o outro. 

Se tu próprio estás a passar por uma situação difícil e consideras que podes ter alguns dos comportamentos de risco que mencionamos, lembra-te que há alguém sempre disposto a ouvir-te. Lembra-te que no meio da escuridão à sempre uma luzinha, por mais pequenina que seja, pela qual vale a pena lutar e a tua vida importa, sim! 

Se não consegues lidar com a situação sozinho, não há qualquer problema em pedir ajuda. Não precisamos de carregar o mundo inteiro nas costas! Sofrimento dividido é sofrimento pela metade! 

São alguns números para os quais podes ligar para dividir o peso de teu mundo a SOS Voz Amiga (213 544 545 / 912 802 669 / 963 524 660), Telefone da amizade (228 323 535), Escutar – Voz de Apoio – Gaia (225 506 070), SOS Estudante (969 554 545), Vozes Amigas de Esperança (222 080 707), Centro Internet Segura (800 219 090), Conversa Amiga (808 237 327 / 210 027 159) e Telefone da Esperança (222 030 707).

Para ti que queres impactar o mundo, que queres impactar e salvar vidas. Que queres que os 40 segundos se transformem em 40 minutos, 40 horas, 40 dias, 40 meses, … é a hora de tomares uma ação e dar voz às vidas que já perdemos para que mais vidas não sejam perdidas.

É a hora de tomares uma ação e contribuires para um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDG) da ONU até 2030: o SDG 3 – Good health and well-being. Este SDG foca-se em assegurar uma vida saudável e em promover o bem-estar para todas as pessoas, em todas as idades.

Lembra-te que saúde, no sentido global da palavra, é o bem-estar físico, mental e social de uma pessoa! Por isso, é altura de quebrar mais um tabu e lutar para que as 800 mil mortes anuais se transformem em 0, porque ninguém é julgado por pedir ajuda psicológica e porque ninguém tem medo de a pedir.

Achas que não é suficiente consciencializares apenas aqueles que te rodeiam? Podes consciencializar uma comunidade inteira através dos projetos de voluntariado da AIESEC associdados ao SDG3 para que saúde mental não seja um tabu, enquanto te desenvolves e descobres o líder que há em ti.

É o teu momento de impactar, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, nenhuma pessoa considere suicidar-se… É preciso agir para que, no futuro, todos consigamos ter a coragem de pedir ajuda, porque ninguém precisa de ser forte 24h por dia. Se ficaste curioso e queres quebrar estigmas, toma uma ação e descobre mais sobre os nossos programas de voluntariado em aiesec.org.

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