De Aluno Mediano a Fundador de 3 Start-Ups

Aos 18 anos entrei na faculdade e a única certeza que tinha era que queria acabar o curso o mais depressa possível e partir para fora do país para ter experiências profissionais. Sabia também que no futuro gostaria de criar e gerir a minha própria empresa; só não sabia que o iria fazer tão cedo.

No primeiro ano de licenciatura de Gestão no ISCAL fui desafiado por um professor a participar no Poliempreende, um concurso de empreendedorismo a nível nacional. Não tinha ideias; não sabia fazer um plano de negócios; não tinha equipa. Acho que a única coisa que tinha verdadeiramente era vontade, que percebo agora ser o factor mais importante.

Mais tarde lancei-me para mestrado em Barcelona e iniciei a minha carreira profissional a trabalhar em hotéis, tendo trabalhado em Espanha, Perú e Inglaterra. Em Novembro de 2011 um acontecimento mudou a minha vida – conheci a AIESEC. Através do programa de estágios profissionais no estrangeiro decidi mudar de área para encontrar algo que me satisfizesse e foi aí que surgiu a oportunidade de ir trabalhar em consultoria estratégica para projectos de desenvolvimento de turismo no Irão. Aceitei sem hesitar.

A experiência de viver num país cultural e politicamente tão diferente foi um desafio que me fez crescer e me permitiu abrir imenso os horizontes. Recordo com saudade todos os recantos do país, que acabei por visitar, e as pessoas maravilhosas que conheci. Hoje em dia tenho lá bons amigos e estou a desenvolver um plano de expansão da Climber (empresa da qual sou fundador) para o Irão. Foi a viver neste país que tomei uma decisão – o que quer que fosse fazer depois do Irão teria que ser um desafio ainda maior.

Esperava-me assim um ano de voluntariado em Burkina Faso, na África do Oeste,  a trabalhar enquanto membro da AIESEC. Ao mesmo tempo, e para pagar as contas, dei aulas numa universidade local, uma experiência que irei um dia repetir.  Viver em Burkina Faso foi díficil. Imaginem-se a viver numa favela; numa casa que apesar de ser a melhor do bairro, não tem o conforto de um quarto ou de uma cama, de uma sanita, ou mesmo de um frigorífico. A comida era escassa e passei fome. Se compararmos aos nossos standards europeus, em Burkina Faso não se vive, sobrevive-se. Não me sobram dúvidas que foi este ano repleto de desafios que me inspirou a prosseguir o meu sonho inicial de me tornar empreendedor. Como não havia electricidade em casa após as 20h, aproveitava os pôr-de-sol para subir ao terraço onde desenhava em papel o que veio a ser o primeiro plano de negócios da primeira empresa que criei.

Passado um ano decidi voltar a Portugal e em 2013, determinado a criar a minha primeira empresa, isolei-me de tudo e todos para trabalhar em casa dos meus pais (e talvez para me isolar também da sociedade e recuperar do choque), perdi dinheiro, cometi erros de principiante e aprendi imenso. A empresa não gerou retorno e decidi fechá-la. Imediatamente decidi criar com um sócio a minha segunda empresa, um software de analytics para hotéis. A experiência durou 10 meses, mas também não correu bem e acabei por sair da startup em Dezembro de 2014. Logo a seguir decidi criar a Climber Hotel, a terceira empresa, também esta um software para hotéis que os ajuda a definir qual o melhor preço a que devem reservar os seus quartos.  Actualmente sou co-fundador e CEO da Climber Hotel que conta já com 8 colaboradores de 4 diferentes nacionalidades. Queremos expandir a equipa para 19 colaboradores e estamos a desenvolver um plano de  internacionalização a executar ainda em 2016.

Acredito que não teria conseguido atingir este ponto da minha carreira, onde estou muito feliz e faço o que gosto, caso não tivesse passado por tantos desafios na minha vida pessoal e profissional. Os obstáculos tornaram-me mais determinado e sei perfeitamente que é aqui que quero estar nos próximos anos.

Um conselho para jovens que se querem tornar empreendedores?

O tempo ideal para lançares um projecto teu é agora, enquanto não tens responsabilidades maiores.  Se tiveres o “bichinho” e o quiseres explorar fá-lo. Segue a tua paixão! Sabendo o que sei hoje, eu tê-lo-ia feito mais cedo. Se quiseres trocar ideias fala comigo.

 

Mário Mouraz

Co-fundador da Climber Hotel

mario@climberhotel.com


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