Ser Global Host

Olá! O meu nome é Tomás Santos, tenho 19 anos, estudo Management no ISEG e sou um dos responsáveis por garantir o alojamento dos jovens que chegam a Portugal para realizarem uma experiência internacional – Global Host.

Mas, o que é Global Host? É o programa da AIESEC que garante aos portugueses uma experiência multicultural sem sair de casa ao acolher um voluntário internacional por um período de 6 semanas.

Todos os anos, temos jovens que vêm para Portugal impactar a vida de crianças e idosos então porque não lhes dar também uma boa experiência!

Os benefícios de Global Host são claros. Além da possibilidade de uma prática diária de uma segunda língua, estamos também a ter uma constante troca cultural, a viver a diversidade e a criar conexões internacionais! É como se tivéssemos a viajar sem sair de casa!

Além disso, o processo para ser Global Host é muito simples! Primeiro é feita a inscrição online através de bit.ly/InscricaoGlobalHost e depois, em menos de 24h, a pessoa é contactada por um membro da AIESEC para marcar uma sessão de esclarecimento. Após a sessão é assinado um acordo de hospedagem, caso esteja interessada no processo. Depois disso, são enviados os perfis dos voluntários para a pessoa escolher a que quer acolher em sua casa. A partir desse momento, criamos uma ponte entre o voluntário e a família de acolhimento como, por exemplo, uma sessão para se conhecerem melhor e estabelecer as regras da casa para garantir que toda a experiência corra bem. Depois é só esperar que o voluntário venha para Portugal!

As pessoas que já acolheram um voluntário connosco sabem como uma experiência destas pode impactar a vida não só do voluntário como da família de acolhimento. Partilhar casa com um voluntário internacional pode ser desafiante mas vale extremamente a pena! Se ambos tiverem abertos para isso, conseguem estabelecer fortes laços de amizade que vão perdurar mesmo depois da experiência acabar, como já aconteceu várias vezes! Então, o que estão à espera para ser Global Host?

AIESEC Experience

Não me lembro de existir sem ter o sonho de ir a África. Era o maior plano que tinha. Daqueles planos que, sem saber bem explicar, tens a certeza absoluta que vais concretizar. A verdade é que este sonho foi sendo adiado até ao último momento. Quando acabei o mestrado decidi que tinha chegado a altura. Comecei a pesquisar organizações e programas de voluntariado até que encontrei a AIESEC.

Inscrevi-me e entrei logo em contacto com a pessoa responsável por me acompanhar ao longo de todo o processo (Maria Beatriz). Comecei a ver vários projetos, um pouco por todo o mundo, mas a maioria em África. Sabia que queria trabalhar com crianças e que preferia ir para um país onde se falasse português. A Maria Beatriz ajudou-me muito nesta fase e apresentou-me 3/4 projetos para escolher. Finalmente decidi: ia trabalhar num orfanato na cidade da Beira em Moçambique.

Quando escolhi finalmente o meu projeto, faltava pouco mais de um mês para partir à aventura. Assim, esse mês foi preenchido a tratar de voos, vistos, seguros de saúde e toda a papelada necessária. Estava muito ansiosa, um pouco nervosa até. Afinal de contas ia para uma realidade muito diferente da minha e não conhecia lá ninguém. Felizmente deram-me o contacto de uma rapariga que já lá estava e que ia trabalhar comigo no orfanato, o que facilitou muito as coisas.

Quando lá cheguei fui muito bem recebida pelas pessoas da AIESEC in Beira. Levaram-me a casa, apresentaram-me, mostraram-me a cidade. Fizeram-me sentir muito apoiada em tudo. Nos primeiros dias tive que tratar de alguns assuntos relacionados com o visto e tive que me apresentar no orfanato, sempre acompanhada por alguém da AIESEC, na maior parte das vezes a minha buddy.

Também no início da experiência conheci a minha família de acolhimento e a voluntária que vivia connosco e que passou a ser parte da minha família. Esta parte não podia ter sido melhor! Aprendemos a viver numa casa cheia de gente, a tomar banho de caneca, a fazer matapa de couve, a ralar cocô, a ter o quarto sempre cheio de miúdos, a ser cumprimentadas pelos vizinhos, a dormir sempre dentro da rede mosquiteira e a adormecer com o cheiro a repelente. Fomos mesmo muito felizes na casa da tia Maria!

Saía de casa, apanhava o chapa e ia para o orfanato onde era ainda mais feliz do que em casa. Passava a manhã a tomar conta de bebés: a dar colo, a cantar músicas, a mudar fraldas, a dar papas e a aprender coisas novas com as titias que lá trabalhavam. Também aqui tinha uma grande amiga que me acompanhava em tudo isto. A nossa principal função era estar com os bebés, mas sempre que era preciso ajudavamos noutras coisas: íamos com algumas crianças à praia, organizavamos donativos…

Ao longo de toda a minha experiência, para além do apoio das pessoas da AIESEC in Beira, mantive sempre o contacto com a Maria Beatriz, que me contactava regularmente para saber como estava a correr a minha experiências.

A relação com as pessoas da AIESEC in Beira ia muito para além do estritamente necessário. Apoiavam-me em todas as coisas mais burocráticas, mas para além disso estavam muito presentes no dia-a-dia. Íamos passear pela cidade, almoçar fora, jantar a casa de alguém da AIESEC e até passear para um pouco mais longe, quando possível. 

Decidir partir nesta experiência foi a melhor decisão que tomei até hoje. Como diz uma grande amiga minha, estar na Beira ajudou-me a rebentar a bolha em que vivia e a alargar horizontes. Aprendi que aquilo que num dia vejo como choque cultural, daí  uma semana já pode ser a minha realidade. Aprendi a desenrascar-me, a não julgar as realidades dos outros e percebi o quanto se pode ganhar quando saímos da nossa zona de conforto. E tu? Já decidiste para onde vais partir? Arrisca e inscreve-te em: aiesec.org.

Mariana Monteiro

AIESEC Experience

Pedimos à Rita Leite que partilhasse connosco a sua experiência de Global Volunteer, e foi assim que ela a descreveu:

“Quando atingimos um certo ponto de maturidade mental, percebemos que o objetivo final da nossa existência é só um: sermos felizes. Assim que chegamos a essa conclusão, procuramos ser felizes com um leque de bons amigos, escolhemos o curso com o qual mais nos identificamos, tentamos entrar em atividades extra curriculares que nos completam, mas mesmo assim, a maior parte de nós chega ao final do dia com a sensação de que ainda falta algo. É verdade que somos seres constantemente insatisfeitos, procuramos sempre mais, ambicionamos sempre mais e para nossa revolta, quando alcançamos esse mais, percebemos que também não foi o suficiente. 

Acredito que isso acontece porque acima de tudo não sabemos ser felizes com nós próprios, não sabemos apreciar as pequenas coisas e impomos a nós próprios micro objetivos que nos vão deixar um passo mais próximos do sucesso e concomitantemente da felicidade (achamos nós). Mas não é o sucesso que dita a felicidade, mas sim a felicidade que dita o sucesso e essa foi sem dúvida alguma das maiores aprendizagens que retirei do meu Global Volunteer com a AIESEC. 

Durante as 6 semanas que estive de experiência em Itália, não houve um único dia no qual eu não fosse feliz, nem um único dia no qual eu não me sentisse autêntica. Era eu, a todo o tempo, e senti que nunca percebi com tanta clareza aquilo que eu sou, acredito e quero. A minha experiência deu-me a oportunidade de me conhecer mais a mim própria, desenvolveu a minha Leadership quality de Self Aware, e ao fazê-lo, moldou não só quem eu sou hoje, mas também certamente aquilo que irei ser no futuro. 

No meu GV percebi que queria dedicar a minha vida a ajudar os outros e que ambicionava montar o meu próprio negócio, mas garantir sempre que a minha equipa de trabalho ia ter um ambiente no qual se podia desenvolver e no qual realmente tinha gosto de estar e de pertencer. No meu GV tomei a decisão que ia chegar a Portugal e que ia dar muito mais valor ao que eu tinha na minha vida, que ia deixar de me preocupar com coisas supérfluas, sendo o meu único objetivo a procura interna e externa da felicidade, para mim e para os meus. 

O meu GV foi a melhor experiência da minha vida, não só por todas as memórias que trago de lá, mas por todo o desenvolvimento pessoal. Fui para lá a achar que ia impactar outros, mas cheguei a perceber que a pessoa que mais foi impactada, fui eu própria. 

Por muito clichê que seja, a verdade é que ninguém entende até passar por algo semelhante. Mas felizmente, somos jovens e como se costuma dizer, a vida é uma criança e estamos mais do que a tempo para embarcar numa experiência destas. Foi a minha primeira experiência, mas definitivamente não será a última. Até à minha próxima experiência, a minha única ambição é que através da minha história, outros se sintam encorajados a fazê-lo. Prometo, não se vão arrepender, nem por um único segundo da vossa vida.”

Se, tal como a Rita, queres impactar vidas e, ao mesmo, ser impactado inscreve-te em aiesec.org e começa a planear a tua própria experiência de voluntariado.

Feminicídio no México

Feminicidio! Só o pronunciar desta palavra é capaz de arrepiar qualquer pessoa! E o seu significado? Esse faz-nos ficar, para além de arrepiados, horrorizados! Feminicídio descreve o assassinato de mulheres pelo simples facto de serem o que são: Mulheres…
Este crime é reflexo de toda uma cultura machista que tem sido passada de geração em geração ao longo dos anos. É o final fatal de vários tipos de violência que têm as mulheres como alvo nas sociedades onde se verifica uma grande desigualdade de poder entre homens e mulheres. É consequência de várias construções históricas, culturais, económicas, políticas e sociais que discriminam as mulheres.
No início deste ano, a morte de duas mulheres gerou revolta entre a população feminina no México. Ingrid Escamilla tinha apenas 25 anos, quando perdeu a vida pelas mãos do seu companheiro, que a esquartejou à frente do seu filho. Este episódio, sobretudo devido à forma como foi tratado pelos diversos meios de comunicação, gerou uma grande revolta por parte da população mexicana.
Esta indignação e revolta são ainda mais intensificados quando, três dias depois, a pequena Fátima Cecilia Aldrighett de apenas 7 anos, que tinha sido raptada, foi encontrada sem vida e com sinais claros de violência sexual, num saco de plástico. Consequentemente, verificou-se um número crescente de manifestações movidas pela população mexicana por todo o país e diante do Palácio Nacional.
Neste contexto, verificaram-se dois grandes movimentos nos dias 8 e 9 de março deste ano. O dia 8 de março representa o “Dia Internacional da Mulher”, servindo de alicerce para as marchas realizadas. As mulheres saíram à rua num protesto na Cidade do México. No dia seguinte, verificou-se o cenário contrário: as mulheres não saíram à rua com o intuito de evidenciar a importância da mulher nos mais diversos setores. Este movimento, sob a forma da hashtag #UnDíaSinNosotras, contou com a presença de mulheres das mais variadas idades: das mais novas às mais idosas.
Ingrid Escamilla e a pequena Fátima Aldrighett, infelizmente, são mais dois dos vários nomes de mulheres que perderam a vida para o feminicídio. No México, segundo o Secretário Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública, 10 mulheres morrem diariamente. São 3650 vítimas de feminicídio todos os anos.
Adicionalmente, nos últimos cinco anos verificou-se um aumento em 136% das vítimas de feminicídio e, em cerca de 90% dos crimes, não há qualquer penalidade para o agressor.
Estes dados, que apenas se referem ao México, são evidência clara de uma cultura machista enraizada na sociedade mundial que, mesmo com todos os movimentos e conhecimentos de que dispõe, continua a culpar as vítimas e a silenciar-se perante estas situações…
É com o objetivo de reverter este entre outros cenários de desigualdade de género a nível mundial que a ONU definiu a Igualdade de Género como um dos seus objetivos a cumprir até 2030, levando ao aparecimento do SDG5 – Gender Equality.
E como é que tu podes contribuir para este objetivo? Simples, se assistires a alguma situação que não deixe qualquer dúvida de que estás perante violência contra a mulher fala com alguém, ajuda a vítima, faz o que estiver ao teu alcance para ajudar! Mas lembra-te, nunca, em momento algum, te silencies! Ficar calado e de braços cruzados é ser cúmplice do agressor!
Ao mesmo tempo, podes descobrir e desenvolver o líder que há em ti enquanto contribuis para a igualdade de género em qualquer um dos vários projetos de voluntariado da AIESEC inerentes ao SDG5, pois é necessário educar os jovens do presente para que os adultos do futuro sejam mais conscientes e não compactuem com o crime que é o feminicidio..
É o teu momento de agir, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, homens e mulheres sejam vistos como iguais e as mulheres não percam a vida só porque são Mulheres… Se ficaste curioso, podes descobrir mais em aiesec.org.

A​ ​tua​ ​experiência,​ ​o​ ​teu​ ​papel.

Viver uma experiência internacional tem o potencial de transformar a vida de um indivíduo. O crescimento vai além do aumento no valor acrescentado das competências dos jovens, ou da sua empregabilidade, também inerentes a uma experiência deste tipo. Em particular, sabe-se que as experiências de voluntariado e educação internacional que sejam mais ricas em situações que apelem à compreensão e interculturalidade têm maior impato positivo no desenvolvimento global e integrado das pessoas, comunidades e jovens voluntários. Mas como é isto acontece na realidade?

Cada experiência integra o desenvolvimento e vivência dos jovens, e cada pessoa tem uma história para contar, um conjunto de experiências e papéis diferentes. A Beatriz Reis não é diferente nisto. Uma jovem como todos os outros jovens, mas que abraçou o desafio de fazer uma experiência de voluntariado internacional em Pelotas (Brasil) através da AIESEC, e que nos pode ajudar a compreender a influência que a mesma teve na aquisição ou desenvolvimento de competências intercontextuais e no seu desenvolvimento pessoal.

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Esta foi uma experiência que aumentou muito o seu crescimento pessoal e competências aplicáveis nos mais diversos contextos, como o laboral. A necessidade de criar novas soluções para os desafios do projeto, tendo em conta as condições precárias em que as crianças do centro se encontravam levou ao desenvolvimento de um pensamento mais flexível e orientado para a (re)aproveitação de todos os recursos e bens, por muito escassos que fossem. A Beatriz fala ainda na importância de estar consciente de si mesma tendo em conta as situações de pressão, muitas vezes a nível da resposta emocional, com que frequentemente se deparava. Mas sempre relembrando que foram estas que a fizeram crescer enquanto jovem responsável pelo amanhã, que pode extinguir as condições desfavoráveis de hoje.

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A experiência foi particularmente desafiante devido às condições da comunidade onde estava a desempenhar funções de voluntária com crianças muito desfavorecidas, que maior parte das vezes não recebiam alimentação em casa, com todas as consequências implicadas. Esta era uma realidade com a qual não tinha tido tanto contato em Portugal, ou até mesmo nos sítios onde viajou anteriormente, tendo sido uma adaptação difícil mas bem-sucedida, muito graças ao apoio da AIESEC, voluntários do projeto e aos sorrisos das crianças com que trabalhou.

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Também a sua maneira de ver o mundo se foi alterando substancialmente durante toda a experiência. Não que antes fosse uma pessoa culturalmente fechada, pelo contrário, mas considera que foi o experienciar uma cultura através de contato direto com as crianças, ajudantes e funcionários do projeto, tal como outros voluntários internacionais, e ainda os membros da AIESEC em Pelotas que fizeram toda a diferença. Hoje é uma pessoa mais alerta para as diferentes necessidades que locais à partida semelhantes podem ter um pouco em todos os países, e qual poderá ser o papel em tais realidades.

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E tu, queres ser responsável pelo teu papel?

Para saberes mais sobre como a AIESEC pode contribuir na construção da tua experiência internacional clica aqui.

 

Autora: Alexandra Santos