O meu Global Talent

“Olá! O meu nome é Luís Semedo, tenho 23 anos e sou do Algarve. Atualmente, sou aluno de mestrado em Estudos Africanos no ISCTE. Fiz a minha licenciatura em Relações Internacionais na Universidade de Évora.

O ano passado, entre março e abril, tomei a decisão de me candidatar a um estágio internacional com a AIESEC. Posso dizer que existiram dois fatores que me motivaram a fazê-lo! Primeiro, andava à procura de oportunidades de estágio em Lisboa, confesso que tentei imensas empresas, mas a resposta era sempre a mesma: não tinha experiência profissional suficiente. Segundo, era membro da AIESEC e questionei-me: “Por que não fazer uma experiência?”. Foi então que me candidatei a um estágio na área de vendas em Kyiv, a magnifica cidade capital da Ucrânia.

Nos dias anteriores à minha partida comecei a sentir o entusiasmo e a incerteza. Estava entusiasmado com a ideia de vir a estagiar no estrangeiro, mas também receoso de o fazer – ir para longe e para um país que vagamente conhecia sozinho. Mas, no geral, estava feliz com a decisão que tinha tomado uns meses antes e muito motivado por embarcar na aventura.

Os primeiros dias foram de adaptação à nova realidade, ao país, à cidade e às pessoas. Todo este processo tornou-se mais fácil com o seminário organizado pela equipa da AIESEC de Kyiv, onde tivemos a oportunidade de conhecer outros estagiários, receber algumas orientações básicas sobre o país e dicas para o nosso dia-a-dia.

Estagiei numa start-up chamada Tranzzo, uma fintech que se focava em métodos de pagamento. Os primeiros dias foram incríveis, fui bem recebido pela equipa e fui imediatamente alocado a um colaborador que seria o meu mentor durante toda a experiência. Explicaram-nos qual era o plano de negócio, como funcionava o setor, e tudo o que precisávamos de saber para realizar as nossas tarefas. No primeiro dia tive uma reunião com o meu mentor, onde este me perguntou quais eram as minhas expectativas, ambições, objetivos e até mesmo o que queria fazer no futuro para que este pudesse adaptar todo o estágio consoante as minhas expectativas e background académico.

Ao longo das minhas 6 semanas na empresa, trabalhei diariamente com o meu mentor. Contribuía para o seu trabalho e ele para a minha aprendizagem e desenvolvimento pessoal. Diariamente tinha como funções analisar possíveis parceiros que se enquadrassem no plano de negócios da empresa e foram várias as ferramentas que o meu mentor me deu a conhecer para desempenhar melhor as minhas funções (Excel, ferramentas de CRM, entre outras). O ambiente na start-up era muito tranquilo, os funcionários simpáticos e faziam sempre questão de saber se a nossa estadia estava a correr bem. No final do estágio, e de modo a apresentar também um pouco a realidade portuguesa, fiz uma apresentação sobre os métodos de pagamento em Portugal. Nesta apresentação também incluí os métodos de pagamento em crescimento no continente africano.

Quando regressei a Portugal senti-me de certo modo concretizado, com o sentimento de “missão cumprida”. Foram 6 semanas em que aprendi imenso, criei amizades, novos contactos e adquiri novas competências. Tudo isto enquanto descobri e conheci um país lindíssimo que é a Ucrânia.

Foi uma experiência que me tornou mais consciente das minhas valências, dos meus pontos fortes e dos meus pontos fracos. A experiência ajudou-me também a conhecer outras culturas, outros modos de lidar, outros modos de comunicar.

Em termos profissionais, a minha experiência na Ucrânia foi muito benéfica, tanto que na minha última noite em Kyiv recebi um email com uma proposta de estágio, desta vez, para um período de 1 ano, na Embaixada de Portugal em Adis Abeba, Etiópia, na vertente de diplomacia económica. E, claro, agarrei esta oportunidade que se abria.”

Se queres ter uma experiência como a do Luís inscreve-te em: aiesec.org/global-talent.

A outra face do covid

2020 será para sempre recordado como “O Ano da Pandemia”, mas será que este ano se resume a apenas isso? Terá 2020 sido apenas um ano mau? Não, a verdade é que, apesar dos desafios que a pandemia nos coloca e colocou, também conseguimos algumas conquistas. Estás preparado para descobrir quais foram?

Logo no decorrer da pandemia verificaram-se duas conquistas: os recursos naturais para 2020 esgotaram-se mais tarde do que em 2019 e verificou-se uma diminuição da poluição.

Estas duas conquistas não se devem a nós, mas servem de alerta para a importância de tomarmos conta da nossa casa comum e começarmos a alterar os nossos habitos de consumo e adotarmos comportamentos mais sustentáveis. Estes dois acontecimentos culminam numa diminuição de 9,3% da nossa pegada ecológica devido à redução da procura de madeira e das emissões de dióxido de carbono.

Ademais, a redução das emissões de gases como o dióxido de nitrogênio ou de carbono, permitiram-nos evitar 11mil mortes. Estas substâncias são tóxicas e, por conseguinte, fragilizam o nosso sistema cardiorrespiratório, levando a que 7milhões de pessoas morram todos os anos. Os cidadãos chineses são aqueles que mais sofrem as consequências da poluição e, por isso, foram uns dos maiores beneficiários desta redução. A diminuição da poluição, acompanhada pelas medidas de isolamento, permitiram salvar entre 50 e 77 mil chineses.

Mas não foi só o ambiente que beneficiou com a pandemia. Nós, ao sermos confrontados com o isolamento e com as nossas vidas viradas ao contrário, trouxemos o nosso lado mais solidário ao de cima. Começamos a sair às nossas varandas para aplaudir aqueles que lutavam, e lutam, na linha da frente contra a pandemia. Saímos, mais uma vez, às varandas para mesmo longe estar junto e cantarmos. Ajudamos os mais vulneráveis ao oferecermo-nos para lhes levar bens essenciais como comida ou medicação. Novos modelos de negócio surgiram, pessoas começaram a criar e oferecer máscaras sociais, empresas começaram a produzir álcool em gel. 

Ao mesmo tempo, não podemos ignorar todas as conquistas que minorias ou pessoas mais vulneráveis conseguiram alcançar. As marchas em prol de “Black Lives Matter” demonstraram a revolta de todas as pessoas ao redor do mundo face ao abuso de poder da polícia perante as pessoas negras. Pessoas cuja única diferença é a cor da pele. Um pequeno passo foi dado no sentido de desconstruir vários pensamentos e estereótipos que foram sendo passados de geração em geração e que colocaram outras raças num patamar inferior face aos ditos “brancos”.

Outra minoria que viu mais um passo a ser dado em direção à aceitação foi a comunidade LGBTQ+ com o Supremo Tribunal dos EUA a considerar a discriminação no emprego contra homossexuais e transexuais um crime, assim como, que as pessoas transexuais se encontram protegidas contra a discriminação sexual.

Outra vitória para esta comunidade ocorreu na Costa Rica, quando esta decidiu tornar-se o primeiro país da América Central a legalizar o casamento entre homossexuais. Esta decisão foi marcada pela transmissão em direto da primeira união civil entre pessoas homossexuais.

Por fim, outra vitória que já marcou este ano foi a erradicação do vírus da poliomielite do continente africado. A luta para a imunização face a este vírus começou em 1996 e, desde então, foi possível impedir que 180mil crianças morressem e que cerca de 1,8milhões sofressem de paralisia para toda a vida.

Estas foram algumas das nossas conquistas em 2020, mas o ano ainda não acabou. Ainda temos muitas mais conquistas para alcançar e muitos mais passos para dar em prol da aceitação, da justiça, da tolerância e da igualdade. E tu? Como vais contribuir? Descobre algumas experiências de voluntariado para conquistarmos um mundo melhor em: aiesec/global-volunteer.