O meu Global Talent

“Olá! O meu nome é Luís Semedo, tenho 23 anos e sou do Algarve. Atualmente, sou aluno de mestrado em Estudos Africanos no ISCTE. Fiz a minha licenciatura em Relações Internacionais na Universidade de Évora.

O ano passado, entre março e abril, tomei a decisão de me candidatar a um estágio internacional com a AIESEC. Posso dizer que existiram dois fatores que me motivaram a fazê-lo! Primeiro, andava à procura de oportunidades de estágio em Lisboa, confesso que tentei imensas empresas, mas a resposta era sempre a mesma: não tinha experiência profissional suficiente. Segundo, era membro da AIESEC e questionei-me: “Por que não fazer uma experiência?”. Foi então que me candidatei a um estágio na área de vendas em Kyiv, a magnifica cidade capital da Ucrânia.

Nos dias anteriores à minha partida comecei a sentir o entusiasmo e a incerteza. Estava entusiasmado com a ideia de vir a estagiar no estrangeiro, mas também receoso de o fazer – ir para longe e para um país que vagamente conhecia sozinho. Mas, no geral, estava feliz com a decisão que tinha tomado uns meses antes e muito motivado por embarcar na aventura.

Os primeiros dias foram de adaptação à nova realidade, ao país, à cidade e às pessoas. Todo este processo tornou-se mais fácil com o seminário organizado pela equipa da AIESEC de Kyiv, onde tivemos a oportunidade de conhecer outros estagiários, receber algumas orientações básicas sobre o país e dicas para o nosso dia-a-dia.

Estagiei numa start-up chamada Tranzzo, uma fintech que se focava em métodos de pagamento. Os primeiros dias foram incríveis, fui bem recebido pela equipa e fui imediatamente alocado a um colaborador que seria o meu mentor durante toda a experiência. Explicaram-nos qual era o plano de negócio, como funcionava o setor, e tudo o que precisávamos de saber para realizar as nossas tarefas. No primeiro dia tive uma reunião com o meu mentor, onde este me perguntou quais eram as minhas expectativas, ambições, objetivos e até mesmo o que queria fazer no futuro para que este pudesse adaptar todo o estágio consoante as minhas expectativas e background académico.

Ao longo das minhas 6 semanas na empresa, trabalhei diariamente com o meu mentor. Contribuía para o seu trabalho e ele para a minha aprendizagem e desenvolvimento pessoal. Diariamente tinha como funções analisar possíveis parceiros que se enquadrassem no plano de negócios da empresa e foram várias as ferramentas que o meu mentor me deu a conhecer para desempenhar melhor as minhas funções (Excel, ferramentas de CRM, entre outras). O ambiente na start-up era muito tranquilo, os funcionários simpáticos e faziam sempre questão de saber se a nossa estadia estava a correr bem. No final do estágio, e de modo a apresentar também um pouco a realidade portuguesa, fiz uma apresentação sobre os métodos de pagamento em Portugal. Nesta apresentação também incluí os métodos de pagamento em crescimento no continente africano.

Quando regressei a Portugal senti-me de certo modo concretizado, com o sentimento de “missão cumprida”. Foram 6 semanas em que aprendi imenso, criei amizades, novos contactos e adquiri novas competências. Tudo isto enquanto descobri e conheci um país lindíssimo que é a Ucrânia.

Foi uma experiência que me tornou mais consciente das minhas valências, dos meus pontos fortes e dos meus pontos fracos. A experiência ajudou-me também a conhecer outras culturas, outros modos de lidar, outros modos de comunicar.

Em termos profissionais, a minha experiência na Ucrânia foi muito benéfica, tanto que na minha última noite em Kyiv recebi um email com uma proposta de estágio, desta vez, para um período de 1 ano, na Embaixada de Portugal em Adis Abeba, Etiópia, na vertente de diplomacia económica. E, claro, agarrei esta oportunidade que se abria.”

Se queres ter uma experiência como a do Luís inscreve-te em: aiesec.org/global-talent.

5 coisas que aprendi durante o meu Global Talent

A Joana embarcou na aventura de realizar um estágio profissional internacional durante 6 semanas em 2019. Um ano depois, decidimos falar com ela para tentar perceber o que foi que essa experiência lhe trouxe enquanto futura profissional em Portugal.

Esteve em Kyiv, na Ucrânia, a trabalhar numa start-up durante 6 semanas na área do Marketing. Durante este período conseguiu desenvolver um vasto leque de soft-skills, pois as responsabilidades que havia assumido para com aquela empresa assim o exigiam. Assim, pode desenvolver capacidades como comunicação em inglês, creative thinking, problem solving, gestão de tempo, trabalho em equipa, flexibilidade e trabalhar sob pressão.

Ao mesmo tempo, esta experiência permitiu que alargasse a sua rede de contactos a um contexto internacional, pois a start-up já contava com uma equipa presente em 5 países. Certamente que são contactos que lhe serão úteis no futuro.

Chegada a Portugal, trazia consigo um conjunto de certezas: estava mais preparada para enfrentar e ingressar no mercado de trabalho português e, sem dúvida, com alguma vantagem competitiva face aos restantes candidatos e já sabia a área de estudos que gostaria de seguir aquando a especialização no Mestrado – o passo seguinte era na área do Marketing.

Se a Joana hoje tem algumas soft-skills mais desenvolvidas, uma rede de contactos internacional, uma melhor preparação para o mercado de trabalho português e sabe o futuro que quer dar na sua carreira profissional é a esta experiência que a AIESEC lhe proporcionou que o deve. E, para ela, ter a AIESEC ao seu lado durante todo o processo disposta a apoia-la foi um ponto extra em toda esta aventura de crescimento profissional.

Se queres ter uma experiência como a da Joana, não hesites e traça o teu futuro com um dos estágios internacionais da AIESEC nas áreas do Marketing, Sales, Business Development ou Business Administration em: aiesec.org/global-talent.

A outra face do covid

2020 será para sempre recordado como “O Ano da Pandemia”, mas será que este ano se resume a apenas isso? Terá 2020 sido apenas um ano mau? Não, a verdade é que, apesar dos desafios que a pandemia nos coloca e colocou, também conseguimos algumas conquistas. Estás preparado para descobrir quais foram?

Logo no decorrer da pandemia verificaram-se duas conquistas: os recursos naturais para 2020 esgotaram-se mais tarde do que em 2019 e verificou-se uma diminuição da poluição.

Estas duas conquistas não se devem a nós, mas servem de alerta para a importância de tomarmos conta da nossa casa comum e começarmos a alterar os nossos habitos de consumo e adotarmos comportamentos mais sustentáveis. Estes dois acontecimentos culminam numa diminuição de 9,3% da nossa pegada ecológica devido à redução da procura de madeira e das emissões de dióxido de carbono.

Ademais, a redução das emissões de gases como o dióxido de nitrogênio ou de carbono, permitiram-nos evitar 11mil mortes. Estas substâncias são tóxicas e, por conseguinte, fragilizam o nosso sistema cardiorrespiratório, levando a que 7milhões de pessoas morram todos os anos. Os cidadãos chineses são aqueles que mais sofrem as consequências da poluição e, por isso, foram uns dos maiores beneficiários desta redução. A diminuição da poluição, acompanhada pelas medidas de isolamento, permitiram salvar entre 50 e 77 mil chineses.

Mas não foi só o ambiente que beneficiou com a pandemia. Nós, ao sermos confrontados com o isolamento e com as nossas vidas viradas ao contrário, trouxemos o nosso lado mais solidário ao de cima. Começamos a sair às nossas varandas para aplaudir aqueles que lutavam, e lutam, na linha da frente contra a pandemia. Saímos, mais uma vez, às varandas para mesmo longe estar junto e cantarmos. Ajudamos os mais vulneráveis ao oferecermo-nos para lhes levar bens essenciais como comida ou medicação. Novos modelos de negócio surgiram, pessoas começaram a criar e oferecer máscaras sociais, empresas começaram a produzir álcool em gel. 

Ao mesmo tempo, não podemos ignorar todas as conquistas que minorias ou pessoas mais vulneráveis conseguiram alcançar. As marchas em prol de “Black Lives Matter” demonstraram a revolta de todas as pessoas ao redor do mundo face ao abuso de poder da polícia perante as pessoas negras. Pessoas cuja única diferença é a cor da pele. Um pequeno passo foi dado no sentido de desconstruir vários pensamentos e estereótipos que foram sendo passados de geração em geração e que colocaram outras raças num patamar inferior face aos ditos “brancos”.

Outra minoria que viu mais um passo a ser dado em direção à aceitação foi a comunidade LGBTQ+ com o Supremo Tribunal dos EUA a considerar a discriminação no emprego contra homossexuais e transexuais um crime, assim como, que as pessoas transexuais se encontram protegidas contra a discriminação sexual.

Outra vitória para esta comunidade ocorreu na Costa Rica, quando esta decidiu tornar-se o primeiro país da América Central a legalizar o casamento entre homossexuais. Esta decisão foi marcada pela transmissão em direto da primeira união civil entre pessoas homossexuais.

Por fim, outra vitória que já marcou este ano foi a erradicação do vírus da poliomielite do continente africado. A luta para a imunização face a este vírus começou em 1996 e, desde então, foi possível impedir que 180mil crianças morressem e que cerca de 1,8milhões sofressem de paralisia para toda a vida.

Estas foram algumas das nossas conquistas em 2020, mas o ano ainda não acabou. Ainda temos muitas mais conquistas para alcançar e muitos mais passos para dar em prol da aceitação, da justiça, da tolerância e da igualdade. E tu? Como vais contribuir? Descobre algumas experiências de voluntariado para conquistarmos um mundo melhor em: aiesec/global-volunteer.

Estágio Internacional?

“Estou a pensar no que fazer para iniciar a minha carreira profissional, e agora? Como irei destacar-me no mercado de trabalho? O que faço?” São várias as questões e receios no momento em que a entrada no mercado de trabalho se aproxima. É o momento em que tudo aquilo para que trabalhamos ao longo dos anos é posto à prova e a nossa independência começa a afirmar-se.

Mas, como é que me vou destacar de entre todos os outros candidatos? Uma possibilidade é um estágio internacional com a AIESEC através do programa Global Talent. Durante 6 semanas a 1 ano podes estar a trabalhar numa Startup, pequena/média empresa ou multinacional nas áreas de Sales, Marketing, Business Administration ou Business Development.

E como te podes candidatar a esta experiência? Está mesmo à distância de um clique e da inscrição na nossa plataforma em: aiesec.org/global-talent.

E depois, o que acontece? Depois de te inscreveres na nossa plataforma, serás contactado e darás início a todo o processo. Neste primeiro contacto, o membro da AIESEC vai procurar saber um bocadinho mais sobre ti e sobre todo o teu percurso de forma a perceber o tipo de estágios que te podem interessar.

Depois deste breve contacto, terás uma entrevista com o membro da nossa organização para ele ficar a conhecer-te melhor enquanto pessoa e para perceber como te podes sair na entrevista e, ao mesmo tempo, dar-te-á feedback sobre todo o teu currículo e pontos que podes melhorar. Aqui podem já ser-te apresentadas algumas possibilidades de estágio de acordo com todas as informações que recolhemos ao longo de todo o processo.

No final, durante o período de um mês estarás a receber mais algumas sugestões de oportunidades e a candidatar-te àquelas que te despertaram maior interesse. E o que acontece nesta fase? Terás que fazer vídeos de apresentação ou ter um conjunto de entrevistas para as diferentes oportunidades a que te candidataste de forma a que o escritório da AIESEC que te poderá receber e acompanhar durante todo o período da tua experiência perceba se encaixas no perfil que os seus parceiros estão à procura.

Agora que já sabes um bocadinho sobre todo o processo de candidatura a um programa de estágio internacional, deves estar a questionar-te sobre como é que a AIESEC pode ajudar-te em todo este processo.

O papel da AIESEC vai muito mais além do que apenas colocar-te em contacto com um parceiro e uma empresa. Nós, enquanto organização que acredita no teu potencial e no teu desenvolvimento, acompanhamos-te desde do início até ao final de toda esta experiência. Ajudamos-te a preparares-te para as entrevistas que irás realizar, analisamos o teu currículo de forma a conseguires perceber os aspetos que podes melhorar e como e revemos toda a tua candidatura de forma a que esta fique mais atrativa. Além disso, o facto de termos uma maior proximidade com os diversos países parceiros para os quais te podes estar a candidatar permite-nos saber o ponto em que o teu processo se encontra.

No momento em que fores aceite e te começares a preparar para o início da tua experiência, a AIESEC também vai garantir que podes participar em atividades que te permitam lidar da melhor maneira não só com a empresa onde irás trabalhar, mas também preparar-te para o choque cultural que outra realidade poderá ter em ti. Chegado ao teu destino, continuaremos sempre a acompanhar-te, mesmo que à distância, de forma a garantir que tenhas a melhor experiência possível e que te desenvolvas ao máximo.

Talvez o teu destino, depois de terminada a jornada académica, seja este: conhecer uma nova cultura, enquanto desenvolves competências de liderança e enriqueces o teu currículo com uma experiência internacional única. Se queres ser o candidato que as empresas precisam, não hesites e inscreve-te em: aiesec.org/global-talent.

Meninas Mulheres!

Nasceu! É uma menina! A sala enche-se de alegria e festejos! A mãe, ainda com aquele ser indefeso no colo, chora! “Que ternurento, é tanta felicidade junta!”, pensamos nós meros espectadores.
A verdade, é que aquela mãe chora, com tamanha dor no peito por saber que aquele ser, ainda sem nome, já tem o destino traçado. Aquela menina vai ser educada para ser uma boa esposa e mãe. Aos 16, ou talvez menos, já estará a casar com um homem bom e, dali a 1 ano, será ela numa cama de hospital a carregar nos braços o seu bebé recém-nascido.
Esta “mãe” e esta “menina” são o retrato de todas as meninas mulheres, que deixam de brincar de bonecas para serem boas esposas e para terem o primeiro filho antes de o corpo ter tempo de se desenvolver completamente.
Esta história é a realidade de meninas como a Muskaan, oriunda da Índia e de apenas 15 anos, que se viu forçada a casar com um homem mais velho para que a sua família e os seus 6 irmãos pudessem ter comida na mesa.
Com o tempo, várias organizações mundiais lutaram para combater o casamento infantil através de um maior acesso à educação para as jovens. A educação iria permitir que estas meninas passassem mais tempo na escola, aprendessem a ler e a escrever e começassem a sonhar com uma vida diferente. Contudo, a pandemia obrigou a que todas elas perdessem o acesso a este bem precioso ficando confinadas às suas casas.
O casamento infantil era uma realidade que, pouco a pouco, se ia desvanecendo sobretudo nos países asiáticos, como a Índia, o Vietnã ou a Indonésia, que se tornou mais forte com o aparecimento da pandemia, culminando em anos de esforço e consciencialização arruinados por um vírus invísivel que levou à intensificação da pobreza vivida por estas famílias. A solução mais fácil é a troca das filhas, como se de mercadorias se tratassem.
Somando todas as famílias desesperadas que vêem nas filhas a solução para a situação que enfrentam, estima-se que, por todo o mundo, cerca de 12 milhões de meninas casem todos os anos antes de terem completado 18 anos. Este cenário foi agravado com o aparecimento da pandemia do coronavírus, perspetivando-se 13 milhões de casamentos infantis na próxima década, caso não se implementem medidas.
Infelizmente, o casamento infantil ainda é uma prática generalizada em muitos países e 1 em cada 5 meninas casa ou mantém união de facto antes mesmo de completar os 18 anos. Cerca de 40% das meninas são mulheres antes dos 18 anos e 12% antes mesmo dos 15 anos.
Segundo a ONU, 650 milhões de mulheres casaram quando ainda eram meninas e a pandemia pode custar o casamento de mais 13 milhões, um número que poderia ser evitado.
Ao longo dos anos vários países tentaram combater esta prática através do aumento da idade legal para se casar. A Indonésia, por exemplo, aumentou a idade mínima dos 16 para os 19 anos. Esta medida não é suficiente, e a prova disso é que, mesmo assim, entre janeiro e junho deste ano 33 mil casamentos foram aceites pelas autoridades da Indonésia. São mais 11 mil casamentos do que em todo o ano de 2019.
Por todo o mundo, milhares de meninas viram o sonho de serem professoras, médicas ou cientistas a ser destruído. Milhares de mães viram as suas meninas forçadas a casarem-se com um homem do dobro ou triplo da sua idade. Milhares de meninas mulheres perderam a vida porque foram mães antes de o corpo conseguir forças para suportar outra vida. Milhares de famílias viram o casamento das suas filhas como uma saída da pobreza. Milhares de organizações assistiram a um rápido retrocesso de anos de luta.
A batalha ainda não está perdida. Ainda é possível vencer esta luta e conseguir eliminar o casamento infantil até 2030. Ainda é possível que estas meninas sejam meninas e concretizem o sonho de serem quem querem ser.
Para tal, basta um pequeno passo de todos nós. Basta uma ação diferente, basta uma maior consciencialização. E tu, tu tens a chave para a diminuição do casamento infantil ao realizares uma experiência de voluntáriado internacional focada no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 – Igualdade de Género.
Toma uma ação e luta por todas as bébes sem voz, para que elas consigam alcançar todos os seus sonhos. Toma uma ação para que em 2030 os casamentos infantis sejam nulos. Ajuda a ONU e a AIESEC a concretizar este objetivo, inscrevendo-te em: aiesec.org/global-volunteer.

O Pantanal está a arder!

O Pantanal mato-grossence, no Brasil, considerado a maior zona húmida do planeta, está a arder há mais de 40 dias, colocando em perigo várias espécies animais e toda a biodiversidade que existe na região.

Com base nas investigações realizadas no local foi possível apurar que a causa dos fogos que provocaram a destruição de cerca de 1,7 milhões de hectares foi humana, quer intencional, quer acidental, à qual acrescem o calor e vegetação seca como potencializadores do aparecimento de novos focos de incêndio.

As repercussões destes incêndios são diversas, desde a perda de fauna e flora até a impactos na saúde e economia. A economia da região é fortemente dependente do turismo. E, segundo estudos realizados com o intuito de analisar o efeito dos incêndios na saúde, as queimadas aumentam o risco de problemas respiratórios em 36%. Simultaneamente, verificou-se um aumento dos internamentos infantis cinco vezes superiores ao esperado devido à existência dos resíduos tóxicos gerados pelos incêndios na água que é consumida.

A estes cenários e números, junta-se a perda de cerca de 10,3% da vegetação, tendo-se registando o maior número de incêndios neste bioma desde 1998 no mês de Jullho.

Adicionalmente, de todas as espécies animais em risco destaca-se a arara-azul, uma espécie em extinção cujo maior refúgio mundial se encontra no pantanal, correspondendo a 25 mil hectares. Deste refúgio de araras já mais de 70% ardeu, colocando em risco as 700 araras-azuis que lá se encontram. Estima-se que existam apenas 6500 araras-azuis no momento, número que pode ser diminuído devido a este cenário.

Claramente, estes incêndios colocam em risco a vida de várias espécies animais e vegetais, colocando em causa a biodiversidade da região e o processo de recuperação da mesma pode levar décadas.

Nós, enquanto jovens temos a possibilidade de agir e tomar uma ação para que esta situação não se repita. É cada vez mais importante consciencializar as pessoas à nossa volta para a prevenção do nosso planeta e para a proteção da nossa biodiversidade. 

Enquanto jovens temos o dever de garantir que as pessoas estão informadas acerca dos cuidados que devem ter quando estão a fazer queimadas e, acima de tudo, que não há um planeta B e os recursos de que dispomos atualmente não são infinitos.

É neste sentido que a ONU definiu a Vida na Terra como um dos seus objetivos de desenvolvimento sustentável a cumprir até 2030, levando ao aparecimento do SDG15 – Life on Land.

E como é que tu podes contribuir para este objetivo? O simples facto de consciencializares as pessoas ao redor já é um  grande contributo para a sobrevivência do nosso planeta, pois as pessoas terão mais consciência sobre as consequências do seus atos.

Ao mesmo tempo, podes descobrir e desenvolver o líder que há em ti enquanto contribuis para este Objetivo de Desenvolvimento Sustentável em qualquer um dos vários projetos de voluntariado da AIESEC.

É o teu momento de agir, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que todos continuemos a ter um planeta para viver… Se ficaste curioso, podes descobrir mais em aiesec.org.

AIESEC Experience

Não me lembro de existir sem ter o sonho de ir a África. Era o maior plano que tinha. Daqueles planos que, sem saber bem explicar, tens a certeza absoluta que vais concretizar. A verdade é que este sonho foi sendo adiado até ao último momento. Quando acabei o mestrado decidi que tinha chegado a altura. Comecei a pesquisar organizações e programas de voluntariado até que encontrei a AIESEC.

Inscrevi-me e entrei logo em contacto com a pessoa responsável por me acompanhar ao longo de todo o processo (Maria Beatriz). Comecei a ver vários projetos, um pouco por todo o mundo, mas a maioria em África. Sabia que queria trabalhar com crianças e que preferia ir para um país onde se falasse português. A Maria Beatriz ajudou-me muito nesta fase e apresentou-me 3/4 projetos para escolher. Finalmente decidi: ia trabalhar num orfanato na cidade da Beira em Moçambique.

Quando escolhi finalmente o meu projeto, faltava pouco mais de um mês para partir à aventura. Assim, esse mês foi preenchido a tratar de voos, vistos, seguros de saúde e toda a papelada necessária. Estava muito ansiosa, um pouco nervosa até. Afinal de contas ia para uma realidade muito diferente da minha e não conhecia lá ninguém. Felizmente deram-me o contacto de uma rapariga que já lá estava e que ia trabalhar comigo no orfanato, o que facilitou muito as coisas.

Quando lá cheguei fui muito bem recebida pelas pessoas da AIESEC in Beira. Levaram-me a casa, apresentaram-me, mostraram-me a cidade. Fizeram-me sentir muito apoiada em tudo. Nos primeiros dias tive que tratar de alguns assuntos relacionados com o visto e tive que me apresentar no orfanato, sempre acompanhada por alguém da AIESEC, na maior parte das vezes a minha buddy.

Também no início da experiência conheci a minha família de acolhimento e a voluntária que vivia connosco e que passou a ser parte da minha família. Esta parte não podia ter sido melhor! Aprendemos a viver numa casa cheia de gente, a tomar banho de caneca, a fazer matapa de couve, a ralar cocô, a ter o quarto sempre cheio de miúdos, a ser cumprimentadas pelos vizinhos, a dormir sempre dentro da rede mosquiteira e a adormecer com o cheiro a repelente. Fomos mesmo muito felizes na casa da tia Maria!

Saía de casa, apanhava o chapa e ia para o orfanato onde era ainda mais feliz do que em casa. Passava a manhã a tomar conta de bebés: a dar colo, a cantar músicas, a mudar fraldas, a dar papas e a aprender coisas novas com as titias que lá trabalhavam. Também aqui tinha uma grande amiga que me acompanhava em tudo isto. A nossa principal função era estar com os bebés, mas sempre que era preciso ajudavamos noutras coisas: íamos com algumas crianças à praia, organizavamos donativos…

Ao longo de toda a minha experiência, para além do apoio das pessoas da AIESEC in Beira, mantive sempre o contacto com a Maria Beatriz, que me contactava regularmente para saber como estava a correr a minha experiências.

A relação com as pessoas da AIESEC in Beira ia muito para além do estritamente necessário. Apoiavam-me em todas as coisas mais burocráticas, mas para além disso estavam muito presentes no dia-a-dia. Íamos passear pela cidade, almoçar fora, jantar a casa de alguém da AIESEC e até passear para um pouco mais longe, quando possível. 

Decidir partir nesta experiência foi a melhor decisão que tomei até hoje. Como diz uma grande amiga minha, estar na Beira ajudou-me a rebentar a bolha em que vivia e a alargar horizontes. Aprendi que aquilo que num dia vejo como choque cultural, daí  uma semana já pode ser a minha realidade. Aprendi a desenrascar-me, a não julgar as realidades dos outros e percebi o quanto se pode ganhar quando saímos da nossa zona de conforto. E tu? Já decidiste para onde vais partir? Arrisca e inscreve-te em: aiesec.org.

Mariana Monteiro

A saúde mental importa

40 segundos! É este o intervalo de tempo entre dois suícidios. Segundo a OMS, a cada 40 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida e não sobrevive. De lado deixamos as tentativas de suicídio e todos os ferimentos que são autoflagelados, ambos sintomas claros de alguém que precisa de ajuda psicológica.

Os países mais desenvolvidos e com maiores rendimentos são aqueles que apresentam menores taxas de suicídio. Este é o nosso raciocínio lógico, pois têm uma melhor estrutura e capacidade para prevenir o suicídio e prestar apoio à sua população, mas tal não corresponde à verdade. A verdade, é que nos países com maiores rendimentos se verifica uma taxa de suicídio três vezes superior à dos países de médio e baixo rendimento.

Os suicídios cometidos por homens é 1,8 vezes superior aos cometidos pelas mulheres, num contexto global. Se olharmos para os países com rendimentos elevados esta relação duplica: os homens a cometer suicídio são três vezes superiores às mulheres.

Em Portugal, 1450 pessoas suicidaram-se em 2016, representando uma taxa de suícidio de 14% por cada 100 mil habitantes.

Todos estes números elevados levam a que a OMS apela aos países para começarem a criar estratégias de prevenção do suicídio. Apenas 38 países, dos quais Portugal faz parte, têm estratégias de prevenção.

O suicídio tira mais vidas do que o cancro da mama, as guerras e a malária. O suicídio é a segunda maior causa de morte dos jovens, entre os 15 e os 29 anos. A ausência de saúde mental tira-nos mais vidas e mais futuro do que a ausência de saúde física! 

É um pedido, um aviso de todos aqueles que já não podem sonhar com um futuro… Um pedido para que quebremos mais um tabu e para que mais uma construção de séculos seja desconstruída: o psicólogo é para loucos. Não é, e é a hora de agirmos para que não percamos mais vidas quando podíamos ter lutado por elas.

É neste sentido que surge a campanha internacional “Setembro Amarelo” focada em consciencializar a população para a prevenção do suicídio e para a existência desta problemática, assim como, para o combate do estigma e promoção da saúde mental. 

Esta campanha, como o próprio nome o indica, decorre durante o mês de Setembro, mas os suicídios não ocorrem apenas em Setembro. O suicídio ocorre todos os dias a cada 40 segundos e é importante não esquecer e não ignorar esta problemática a partir de 1 de outubro.

É preciso conhecer os sinais de alarme e consciencializar aqueles que nos são mais próximos para esta problemática e para a forma como podemos identificar sinais de alarme e impedir que, dali a 40 segundos, mais uma vida se perca.

São alguns fatores de risco para comportamentos suicidas a tristeza e sofrimento profundos; o isolamento social e baixa autoestima; as alterações repentinas de humor; o consumo de bebidas alcoólicas ou substâncias ilícitas; sentimentos de culpa e desvalorização pessoal; mencionar a temática da morte ou do suicídio com frequência; referir a intenção de cometer suicídio. Outros fatores como, discriminação (racial, devido à orientação sexual ou identidade de género, entre outras); situação política, económica e financeira; perda do emprego ou de um ente querido; conflitos familiares; entre outros podem também aumentar a tendência para a adoção de comportamentos suicidas.

Depois de reconhecidos os sinais de alarme é, também, importante saber como lidar com a situação. Se te deparares com alguém que apresenta comportamentos de risco não desvalorizes ou minimizes o sofrimento pelo qual a pessoa está a passar; ouve o que a pessoa tem a dizer com atenção e tenta perceber o que se passa e, até mesmo, como podes ajudar; não critiques e tenta compreender as razões que levam a pessoa a considerar o suicídio; tenta perceber de que forma a pessoa cometeria o suicídio; transmite empatia e confiança, pois a pessoa pode acabar por desabafar ou encontrar algum conforto em ti e, consequentemente, ter maior facilidade em lidar com os seus problemas; ajuda a pessoa a encontrar soluções para os problemas; sugere que recorra a ajuda especializada como o psiquiatra ou psicólogo.

Conhecer os comportamentos de risco, as formas como podes agir e consciencializar aqueles que te rodeiam são apenas algumas das ações que podes ter para ajudar o outro. 

Se tu próprio estás a passar por uma situação difícil e consideras que podes ter alguns dos comportamentos de risco que mencionamos, lembra-te que há alguém sempre disposto a ouvir-te. Lembra-te que no meio da escuridão à sempre uma luzinha, por mais pequenina que seja, pela qual vale a pena lutar e a tua vida importa, sim! 

Se não consegues lidar com a situação sozinho, não há qualquer problema em pedir ajuda. Não precisamos de carregar o mundo inteiro nas costas! Sofrimento dividido é sofrimento pela metade! 

São alguns números para os quais podes ligar para dividir o peso de teu mundo a SOS Voz Amiga (213 544 545 / 912 802 669 / 963 524 660), Telefone da amizade (228 323 535), Escutar – Voz de Apoio – Gaia (225 506 070), SOS Estudante (969 554 545), Vozes Amigas de Esperança (222 080 707), Centro Internet Segura (800 219 090), Conversa Amiga (808 237 327 / 210 027 159) e Telefone da Esperança (222 030 707).

Para ti que queres impactar o mundo, que queres impactar e salvar vidas. Que queres que os 40 segundos se transformem em 40 minutos, 40 horas, 40 dias, 40 meses, … é a hora de tomares uma ação e dar voz às vidas que já perdemos para que mais vidas não sejam perdidas.

É a hora de tomares uma ação e contribuires para um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDG) da ONU até 2030: o SDG 3 – Good health and well-being. Este SDG foca-se em assegurar uma vida saudável e em promover o bem-estar para todas as pessoas, em todas as idades.

Lembra-te que saúde, no sentido global da palavra, é o bem-estar físico, mental e social de uma pessoa! Por isso, é altura de quebrar mais um tabu e lutar para que as 800 mil mortes anuais se transformem em 0, porque ninguém é julgado por pedir ajuda psicológica e porque ninguém tem medo de a pedir.

Achas que não é suficiente consciencializares apenas aqueles que te rodeiam? Podes consciencializar uma comunidade inteira através dos projetos de voluntariado da AIESEC associdados ao SDG3 para que saúde mental não seja um tabu, enquanto te desenvolves e descobres o líder que há em ti.

É o teu momento de impactar, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, nenhuma pessoa considere suicidar-se… É preciso agir para que, no futuro, todos consigamos ter a coragem de pedir ajuda, porque ninguém precisa de ser forte 24h por dia. Se ficaste curioso e queres quebrar estigmas, toma uma ação e descobre mais sobre os nossos programas de voluntariado em aiesec.org.

A luta da comunidade LGBT+

Arco-irís. É este o símbolo de uma comunidade oprimida e impedida de ser ela própria, mas que todos os dias luta para estar cada vez mais perto da aceitação pela sociedade. A comunidade LGBTQ+ é composta por um grande número de pessoas que pertencem a minorias que a sociedade desde cedo rejeitou por não serem “normais” ou serem “pouco convencionais”.

Na sociedade atual, pouco a pouco, homossexuais, bissexuais, transexuais, … deixam de compactuar com uma sociedade preconceituosa que os faça “permanecer no armário” e saem para as ruas a reivindicar os seus direitos.

Contudo, ao contrário do que seria de se esperar de uma sociedade tão desenvolvida e em pleno século XXI, o medo e a insegurança ainda são uma realidade para estas pessoas. Estas pessoas ainda têm medo da rejeição, das críticas e, acima de tudo, dos ataques e do preconceito. Afinal, são vários os episódios que nos demonstram, e entristecem, em que pessoas são agredidas e julgadas apenas por serem elas mesmas.

Na Chechénia, a comunidade LGBTQ+ viu-se obrigada a criar redes ilegais nas cidades de Moscovo e São Petersburgo para alojarem os seus membros, de forma a evitarem a perseguição e a tortura. Estes atos contra os direitos humanos são apoiados pelo governo e forças de segurança russas que levam os cidadãos a culpar as pessoas LGBTQ+ de todos os problemas da sociedade e a pressionar as famílias destas pessoas a matá-las sob a justificação de “assassinatos de honra”. 

Infelizmente, a Rússia não é um caso isolado. A ela juntam-se campanhas contra a comunidade LGBTQ+ na Polónia, o número crescente de ataques contra pessoas LGBTQ+ na Alemanha – foram 245 crimes de ódio em 2019, contra apenas 50 em 2013 – entre muitos outros.

Em Portugal, o cenário não é tão gritante, mas nem por isso mais animador: de acordo com o relatório “Society at a Glance 2019”, Portugal é um dos oito países da OCDE onde se verifica um maior nível de discriminação contra as pessoas homossexuais. Ainda neste relatório, foi possível perceber que a perceção da discriminação é superior nas pessoas transexuais, face às homossexuais.

No que se refere a atos de violência contra a comunidade LGBTQ+, o cenário português é mais animador, quando verificamos que, nos últimos 5 anos, é o país da UE que apresenta menor número de agressões físicas e sexuais contra pessoas LGBTQ+

Esta realidade, acompanhada por todos os anos de medo da rejeição e aceitação da pessoa que são acabam por ajudar a explicar a cruel realidade de que os jovens LGBTQ+ pensam três vezes mais em suicídio do que as pessoas cis heterossexuais (pessoas que se identificam com o género atribuído à nascença e se sentem atraídas por pessoas do sexo oposto). A probabilidade de este pensamento se tornar uma realidade é cinco vezes superior.

Números elevados, certo? O peso que a discriminação ou atos de violência podem ter na vida de alguém! Não seria mais simples, mais fácil, mais reconfortante se estes números não fossem uma realidade?

Certamente que sim, mas somos humanos. Somos humanos e rejeitamos, marginalizamos e oprimimos tudo o que é diferente, tudo o que foge à normalidade que nos foi ensinada, mas somos humanos. Como seres humanos podemos escolher mudar, desenvolvermos-nos, aprendermos e começar a trabalhar para aceitar o outro.

Somos humanos e a mudança é uma constante. Então, porque não mudar para melhor? “Como?” queres tu saber… 

Pequenos gestos ou mudanças no nosso comportamento podem fazer toda a diferença. O simples facto de deixarmos de usar determinadas expressões homofóbicas, transfóbicas, … ou de consciencializarmos os outros para serem melhores ou mudarem a forma como se expressam e se dirigem à comunidade LGBTQ+ pode, literalmente, salvar vidas.

Assim, há um conjunto de expressões que deves evitar quando estás a lidar com pessoas transexuais (pessoas que não se identificam com o género que lhes foi atribuído à nascença), não binárias (pessoas cuja identidade de género não se limita ao feminino ou masculino), bissexuais (pessoas que se sentem atraídas, sentimental ou sexualmente, por ambos os sexos) e homossexuais (pessoas que se sentem atraídas, sentimental ou sexualmente, por alguém do mesmo sexo).

Quando estiveres a lidar com pessoas transexuais nunca perguntes pelo seu nome de nascença – é um nome com o qual não se identificam e, por isso, sentir-se-ão desconfortáveis perante essa questão;  nunca digas que a pessoa em causa não será homem/mulher de verdade – se a pessoa se identifica com o género masculino ou feminino, então ela é homem ou mulher, sim; não tires conclusões sobre a sua orientação sexual – orientação sexual e identidade de género são coisas diferentes e independentes; não utilizes as expressões “homem que virou mulher” ou “mulher que virou homem” – são expressões ofensivas e que não refletem a realidade, pois a pessoa simplesmente é homem ou mulher.

Quando estiveres a lidar com pessoas não-binárias nunca perguntes se é homem ou mulher – se é uma pessoa não-binária, então não se define como homem ou mulher; não perguntes se é intersexual (pessoas que nascem com características sexuais biológicas que não se inserem na categoria “feminino” ou “masculino”) – são termos diferentes que se referem a pessoas com características diferentes; não digas que “isso de não ser homem nem mulher não existe” ou questiones “o que és?” – não te cabe a ti julgar o outro e todos somos seres humanos que temos o direito de ser nós próprios.

Quando estiveres a lidar com pessoas bissexuais não digas que a pessoa está confusa/indecisa; não digas que as pessoas são, na realidade, homossexuais – não o são, são bissexuais, ponto; caso a pessoa tenha um/a parceiro/a não questiones sobre os ciúmes que existem ou possam existir na relação –  ser bissexual não é sinónimo de infidelidade.

Quando estiveres a lidar com pessoas homossexuais não menciones que estas têm SIDA – ser homossexual não é sinónimo de ser portador desta doença, isso é algo que surgiu de situações passadas por estas pessoas, devido ao medo do preconceito, recorrerem à prostituição e terem relações sem as devidas precauções; não digas que não queres trocar de roupa à frente dessa pessoa – se não te sentires confortável, por qualquer motivo, explica o teu desconforto, mas nunca te sintas desconfortável apenas porque a pessoa é homossexual, pois isso não implica que ela vá “atirar-se a ti”; não digas que a pessoa não parece homossexual – não existem características ou comportamentos próprios de uma pessoa homossexual.

Estes são algumas atitudes que deves procurar evitar quando estiveres a lidar com pessoas da comunidade LGBTQ+ para que estas não se sintam desconfortáveis. Mas mais do que mudar atitudes, é importante começar a consciencializar a nossa sociedade de que todos somos iguais, independentemente da nossa orientação sexual ou identidade de género. É importante começar a quebrar preconceitos e a diminuir todas as desigualdades de que as pessoas LGBTQ+ são vítimas. É neste sentido, e outros, que a ONU definiu a Redução das Desigualdades como um dos seus objetivos a cumprir até 2030, levando ao aparecimento do SDG10 – Reduce Inequalities.

E como é que tu podes contribuir para esta meta? Simples, começa por mudar-te a ti próprio e a aceitar o outro e, ao mesmo tempo, consciencializa a tua família e amigos para a importância de aceitar as outras pessoas. Lembra-te, sempre, que somos todos iguais e todos diferentes! 

Ao mesmo tempo, podes descobrir e desenvolver o líder que há em ti enquanto contribuis para a redução das desigualdades que ainda existem na nossa sociedade em qualquer um dos projetos de voluntariado da AIESEC inerentes ao SDG10, pois é necessário educar os jovens do presente para que os adultos do futuro sejam mais tolerantes à diferença.

É o teu momento de agir, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, nenhuma pessoa considere suicidar-se por apenas ser ela mesma… É preciso agir para que, no futuro, todos consigamos ser nós mesmos sem medo que nos persigam, torturem ou julguem. Se ficaste curioso, queres desconstruir mentalidades e quebrar preconceitos, toma uma ação e descobre mais sobre os nossos programas de voluntariado em aiesec.org.

E os direitos humanos?

“Assassina!” É assim que é descrita uma menina brasileira de apenas 10 anos! Porquê? Como pode uma criança ser descrita de forma tão sombria? Este pequeno ser humano fez um aborto, depois de ser vítima de abuso sexual durante quatro anos por um tio.

Uma criança, com um corpo ainda em desenvolvimento e confusa, sem perceber tudo o que lhe estava a acontecer, teve que passar por um cordão religioso que a rotulava de “assassina” quando se dirigia ao hospital onde iria realizar a intervenção cirúrgica.

Esta criança é uma assassina porque queria abortar! Então, e o tio? Que nome dar a um homem que tira toda a ingenuidade e infância desta criança? 

Então, e nós? Que direito temos nós de condenar esta criança? Que direito temos nós para lhe pedir que não aborte? Que direito temos nós para lhe pedir que gere o fruto de um abuso sexual?

O bebé não tem culpa. Ninguém tem o direito de acabar com uma vida. Sim, é verdade! E a menina? Terá ela a culpa do abuso que sofreu? Terá alguém o direito de acabar com a vida dela, mesmo que metaforicamente?

Este ser indefeso não tem culpa. Ela não pediu que aqueles que lhe são mais próximos, mais queridos e que a deveriam protege,r a levassem a enfrentar algo tão doloroso.

As crianças devem ser protegidas! Esta menina não foi protegida… E será a única criança? Todos gostávamos que assim fosse, mas a dura realidade é que esta é só mais uma história. É só mais uma criança, só mais uma mulher.

Esta criança é mais um número nas estatísticas brasileiras. A esta acresce 32 mil casos, só de 2018. E, infelizmente, o Brasil não é uma exceção à regra. Em Portugal, o cenário não é muito mais animador:  registaram-se 2752 crimes de abuso sexual de menores entre 2016 e 2018. São quase 3 menores por dia. E estes números são apenas aqueles que reportam à polícia.

A verdade é que a grande maioria destes crimes não são denunciados e a violência sexual continua a ser desvalorizada e um tema tabu nas sociedades atuais.

Cabe-nos a nós, enquanto jovens, começar a lutar pelas vítimas, a dar voz às vítimas e a quebrar tabus. Ser vítima de abuso sexual nunca é culpa da vítima, nunca é pelo que ela veste, fez ou disse. É sempre culpa do abusador, de quem não aceitou um não ou não respeitou o espaço do outro.

Todas as pessoas, independentemente de raça, educação, orientação sexual, idade ou género são possíveis vítimas deste crime. Evidentemente, há um grupo mais vulnerável: as mulheres, principalmente as mais  jovens.

Neste sentido, é importante estarmos informados e saber como devemos agir nas várias situações. Enquanto vítima, é aconselhável contactar a polícia judiciária para denunciar o crime e ir até a um hospital para ser examinada/o. Ao mesmo tempo, guardar os vestígios da agressão, pois podem ajudar a identificar e condenar o agressor.

Por outro lado, se conhecemos alguém que passou por uma situação destas é importante estarmos abertos a ouvir, sem julgamentos e sem pressionar e sermos pacientes, pois relembrar e falar sobre estas situações nunca é fácil. Mostra que acreditas na vítima e deixa claro que a culpa do que aconteceu não é dela. Também a podes encorajar a denunciar o crime ou a procurar ajuda profissional, mas deixa sempre que seja a vítima a tomar a decisão.

Se quiseres pedir ajuda podes contactar os gabinetes de apoio à vítima da APAV (116 006), PSP, GNR, PJ, Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, Linha de saúde 24 (808 24 24 24), Número nacional de socorro (112) ou Linha nacional de emergência social (144).

Mas mais do que tudo isto, é importante começar a agir, a quebrar tabus e a educar gerações. É com este propósito que a ONU definiu a Igualdade de Género como um dos seus objetivos a cumprir até 2030, levando ao aparecimento do SDG5 – Gender Equality.

E como é que tu podes contribuir para este objetivo? Simples, achares que estás perante uma vítima de abuso sexual, faz o que estiver ao teu alcance para ajudar! Mas lembra-te, nunca, em momento algum, te silencies ou culpes a vítima! Ficar calado e de braços cruzados é ser cúmplice do abusador!

Ao mesmo tempo, podes descobrir e desenvolver o líder que há em ti enquanto contribuis para a igualdade de género em qualquer um dos vários projetos de voluntariado da AIESEC inerentes ao SDG5, pois é necessário educar os jovens do presente para que os adultos do futuro sejam mais conscientes, mais abertos e com menos tabus. 

É o teu momento de agir, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, nenhuma criança perca a sua infância e ingenuidade, para que nenhuma criança seja considerada uma “assassina” por abortar o fruto de um abuso… Se ficaste curioso, queres quebrar tabus e mudar mentalidades, toma uma ação e descobre mais sobre os nossos programas de voluntariado em aiesec.org.