Meninas Mulheres!

Nasceu! É uma menina! A sala enche-se de alegria e festejos! A mãe, ainda com aquele ser indefeso no colo, chora! “Que ternurento, é tanta felicidade junta!”, pensamos nós meros espectadores.
A verdade, é que aquela mãe chora, com tamanha dor no peito por saber que aquele ser, ainda sem nome, já tem o destino traçado. Aquela menina vai ser educada para ser uma boa esposa e mãe. Aos 16, ou talvez menos, já estará a casar com um homem bom e, dali a 1 ano, será ela numa cama de hospital a carregar nos braços o seu bebé recém-nascido.
Esta “mãe” e esta “menina” são o retrato de todas as meninas mulheres, que deixam de brincar de bonecas para serem boas esposas e para terem o primeiro filho antes de o corpo ter tempo de se desenvolver completamente.
Esta história é a realidade de meninas como a Muskaan, oriunda da Índia e de apenas 15 anos, que se viu forçada a casar com um homem mais velho para que a sua família e os seus 6 irmãos pudessem ter comida na mesa.
Com o tempo, várias organizações mundiais lutaram para combater o casamento infantil através de um maior acesso à educação para as jovens. A educação iria permitir que estas meninas passassem mais tempo na escola, aprendessem a ler e a escrever e começassem a sonhar com uma vida diferente. Contudo, a pandemia obrigou a que todas elas perdessem o acesso a este bem precioso ficando confinadas às suas casas.
O casamento infantil era uma realidade que, pouco a pouco, se ia desvanecendo sobretudo nos países asiáticos, como a Índia, o Vietnã ou a Indonésia, que se tornou mais forte com o aparecimento da pandemia, culminando em anos de esforço e consciencialização arruinados por um vírus invísivel que levou à intensificação da pobreza vivida por estas famílias. A solução mais fácil é a troca das filhas, como se de mercadorias se tratassem.
Somando todas as famílias desesperadas que vêem nas filhas a solução para a situação que enfrentam, estima-se que, por todo o mundo, cerca de 12 milhões de meninas casem todos os anos antes de terem completado 18 anos. Este cenário foi agravado com o aparecimento da pandemia do coronavírus, perspetivando-se 13 milhões de casamentos infantis na próxima década, caso não se implementem medidas.
Infelizmente, o casamento infantil ainda é uma prática generalizada em muitos países e 1 em cada 5 meninas casa ou mantém união de facto antes mesmo de completar os 18 anos. Cerca de 40% das meninas são mulheres antes dos 18 anos e 12% antes mesmo dos 15 anos.
Segundo a ONU, 650 milhões de mulheres casaram quando ainda eram meninas e a pandemia pode custar o casamento de mais 13 milhões, um número que poderia ser evitado.
Ao longo dos anos vários países tentaram combater esta prática através do aumento da idade legal para se casar. A Indonésia, por exemplo, aumentou a idade mínima dos 16 para os 19 anos. Esta medida não é suficiente, e a prova disso é que, mesmo assim, entre janeiro e junho deste ano 33 mil casamentos foram aceites pelas autoridades da Indonésia. São mais 11 mil casamentos do que em todo o ano de 2019.
Por todo o mundo, milhares de meninas viram o sonho de serem professoras, médicas ou cientistas a ser destruído. Milhares de mães viram as suas meninas forçadas a casarem-se com um homem do dobro ou triplo da sua idade. Milhares de meninas mulheres perderam a vida porque foram mães antes de o corpo conseguir forças para suportar outra vida. Milhares de famílias viram o casamento das suas filhas como uma saída da pobreza. Milhares de organizações assistiram a um rápido retrocesso de anos de luta.
A batalha ainda não está perdida. Ainda é possível vencer esta luta e conseguir eliminar o casamento infantil até 2030. Ainda é possível que estas meninas sejam meninas e concretizem o sonho de serem quem querem ser.
Para tal, basta um pequeno passo de todos nós. Basta uma ação diferente, basta uma maior consciencialização. E tu, tu tens a chave para a diminuição do casamento infantil ao realizares uma experiência de voluntáriado internacional focada no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 – Igualdade de Género.
Toma uma ação e luta por todas as bébes sem voz, para que elas consigam alcançar todos os seus sonhos. Toma uma ação para que em 2030 os casamentos infantis sejam nulos. Ajuda a ONU e a AIESEC a concretizar este objetivo, inscrevendo-te em: aiesec.org/global-volunteer.

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