Catarina Reis

Porquê Cabo Verde?

“Muita simpatia, muito calor, muito crioulo e pouco português, muito funaná, kizomba e morna, um coração gigante e uma boa vontade desmedida.” Isto é apenas parte (do muito) que podes esperar de Cabo Verde. Mas por que precisa tanto Cabo Verde de voluntários em projetos sociais e por que deve um jovem português escolher este país como destino para a sua experiência de voluntariado?

A Catarina tem 23 anos, estudou finanças e contabilidade em Lisboa, mas atualmente vive em Cabo Verde. Porquê? Bem, seguindo o sonho de viver num ambiente completamente diferente, que a pusesse à prova, e a fizesse conhecer-se melhor a si mesma, mas também a uma zona do mundo diferente de Portugal, a Catarina decidiu partir para este país e ficar responsável pela área de Recursos Humanos e projetos sociais da AIESEC de Cabo Verde.

O que te levou a escolher Cabo Verde? 

Vir passar um ano em Cabo Verde foi uma decisão estranhamente fácil. Sempre tive o sonho de viver fora, num ambiente completamente diferente do meu, que me pusesse a teste e que me fizesse não só conhecer-me melhor, como também outra parte do mundo. Depois de ter este facto assente, faltava escolher o sítio que mais se identificasse comigo e devo dizer que a resposta foi óbvia. Cabo Verde é um país maravilhoso, cheio de coisas para mostrar ao mundo, além das suas praias de areia branca e águas azuis. É um diamante em bruto que precisa de ser trabalhado. Toda a falta de estrutura, de bases, de processos, só me atraiu mais, e fazer parte do grupo de pessoas que traz essa mudança só acontece uma vez e eu não quis esperar! E por último, mas não menos importante, o facto de Cabo Verde ter uma ligação histórica com Portugal foi muito importante para mim. Perceber a história do outro lado é algo que me atrai imenso! A verdade é que me sinto mais conectada do que nunca com o meu País e tudo isso graças a Cabo Verde, que considero agora uma segunda casa.”

Conhecendo o país cada vez melhor, principalmente através do trabalho realizado pela AIESEC e, mais concretamente, pelos voluntariados recrutados pela organização para trabalhem em projetos sociais no país, a Catarina tem uma visão muito precisa da necessidade de apoio de Cabo Verde na área social.

12339265_1020612507988806_6855540887153587214_o

Porque tem Cabo Verde necessidade de receber voluntários para projetos sociais?

“Neste momento, nós realizamos dois projectos [sociais] diferentes, o Mozaiko e o Modi di Sonhar.

Estes foram dois projectos que nasceram há cerca de um ano nos seguintes contextos:

Mozaiko: Existindo mais de 600 organizações não-governamentais em Cabo Verde, com estruturas muito diferentes entre si, quer seja a nível de recursos humanos ou financeiros, know-how ou de governança, muitas das organizações acabam por não se focar naquele que é o seu core, mas sim em resolver problemas internos. Esses problemas vão desde conhecimento interno dentro da organização, a gestão de recursos financeiros, capacidade de promoção e parcerias com outras organizações. Por ser um problema muito presente em Cabo Verde, o Mozaiko veio contribuir para colmatar estas falhas, trazendo esse conhecimento para Cabo Verde, porque cada parte de uma organização é fundamental para o seu sucesso e só assim o Mozaiko fica completo.

Modi di Sonhar: 55% da população Cabo-Verdiana tem menos de 25 anos. Problemas como delinquência juvenil, abandono escolar, gravidezes na adolescência, etc. são muito comuns. Se perguntarmos a um jovem: Qual é o teu maior sonho? A resposta vai ser um sorriso tímido de quem nunca pensou nessa questão, de quem nunca acreditou que pode ser mais do que aquilo que é comum. O Modi di Sonhar, veio trazer às crianças e jovens Cabo-Verdianos o espaço para eles pensarem em qual é o seu maior sonho, quais são os seus objectivos, através de workshops e outros espaços, estes jovens irão trabalhar para ter um futuro melhor, só se tivermos um sonho podemos traçar objectivos, e só esses objectivos nos farão ficar focados no nosso caminho e nos farão pensar duas vezes antes de ir pelo caminho mais fácil.”

Ao perceber as complementaridades entre as culturas cabo-verdiana e portuguesa, é fácil para a Catarina perceber o impacto que as diferenças entre os países podem ter.

Quais é que achas que são as maiores diferenças entre Cabo Verde e Portugal? 

“A forma como se leva a vida, principalmente. Por muitos problemas que haja aqui, todos acreditam que o melhor prevalecerá e isso dá-te um descanso e paz de alma imenso. Tudo é muito calmo, aqui não há stress, literalmente, tudo se leva numa boa. Às vezes é difícil lidar com os atrasos, com o facto de nem sempre haver o que esperamos no supermercado ou de as coisas não acontecerem exactamente como planeado. Mas por outro lado, é tão bom viver nessa paz, saber que tudo vai ficar bem, que tudo é perto e que no final do dia um copo de ponche à beira-mar a ouvir morna no fundo com amigos à mesa vai fazer esse dia maravilhoso.”

O que achas que ganharia um jovem português ao fazer uma experiência de voluntariado em Cabo Verde? 

“Por muito que o voluntariado seja abrangentemente reconhecido como a experiência de dar aos outros, ajudar os outros, acredito que o voluntário ganha muito mais do que alguma vez consiga dar. Não é uma coisa negativa, na verdade, pelo contrário. Os voluntários aqui têm a oportunidade de impactar imenso as pessoas, as comunidades, o país, aquilo que trazem quer seja sorrisos e sonhos em crianças, recursos ou desenvolvimento nas organizações em que trabalham é impagável. Mas aquilo que levam é muito maior, levam parte de Cabo Verde na sua mala e no seu coração, levam todas as vidas que impactaram, levam todos os obrigados, levam todos os desafios, levam a morabeza caraterística desta terra além fronteiras.”

12370784_1020612531322137_7763951643836075267_o

O que ganharia também o país com a ida de um jovem português?

“O impacto trazido por um jovem português é imenso! Quer seja a nível do conhecimento externo que traz para as organizações com as quais trabalha, a nível de know-how tecnológico, ou mesmo a nível de processos. Existem coisas muito básicas que fazem a diferença a longo prazo!

Por outro lado, também a componente internacional, ao trabalhar com pessoas de diferentes faixas etárias e sociais, eles acabam por inspirar as pessoas à sua volta, a ter um futuro melhor, a estudar aquele ou outro assunto, a mudar os seus hábitos desta ou outra forma.”

Mas…Porquê escolher Cabo Verde?

“Cabo Verde é um país com 10 ilhas, sendo 9 habitadas. Todas as ilhas são diferentes, a nível de paisagens, de recursos, de crioulo falado e das pessoas que lá vivem, mas há uma coisa que permanece, a Morabeza – a capacidade de bem receber, e que sorte é esta de se poder viajar por 10 países diferentes dentro de um só, sabendo que iremos ser sempre bem recebidos?”

Sentes-te completamente motivado para embarcar numa aventura rumo a Cabo Verde e criar um impacto positivo no país, mas não sabes do que vais precisar? Bem, a Catarina deixa-te alguns conselhos para a tua primeira experiência no país!

  • Paciência – nem sempre a tua experiência vai ser fácil;
  • Capacidade de te adaptares a diferentes situações;
  • Repelente;
  • Roupa leve e fresca – Cabo Verde é um país muito mais quente que Portugal;
  • Uma mala vazia para encher com recordações de Cabo Verde;
  • Medicamentos de que necessites;
  • Alguma comida de que gostes mesmo muito – os supermercados são um pouco inconstantes e nem sempre há as mesmas coisas, uma vez esperei 3 semanas por pimentos vermelhos!
  • Sorrisos para dar e vender!

Estás preparado para encher uma mala de recordações e partilhar sorrisos por Cabo Verde? O próximo passo é encontrares a oportunidade perfeita no país do funaná!

Mas, se até agora não ficaste convencido, vai até à página Impacto Cabo Verde no Facebook vê a experiência de quem já deixou o seu impacto.

 

Sara Duarte

Content Marketing Manager

AIESEC Portugal

contentmarketing@aiesec.pt

Comentários

comentários