AIESEC Portugal na Youth Action Summit

O nosso Member Commitee President, Henrique Santana expressa a forma como a #YouthActionSummit o impactou. Nesta conferencia foram discutidas acções a serem tomadas para o futuro da juventude no mundo. Lê tudo sobre a sua experiência no nosso blog.

Como te sentiste na sede das Nações Unidas?

Penso que muita gente já imaginou como seria estar nas Nações Unidas: decisões que mudam o mundo tomadas na Sala da Assembleia Geral. Estar na sede das Nações Unidas é isso, e muito mais. Na verdade, o que mais me impressionou foi o dia a dia de anónimos e não-tão-anónimos que se cruzam nos corredores de um edificío enorme, cheio de monitores em todo o lado anunciando constantemente os plenários, seminários e tomadas de decisão sobre os mais determinados assuntos. Quando pensamos nas Nações Unidas, pensamos nas grandes decisões, como os SDG’s (Sustainable Development Goals), mas na verdade, dezenas de decisões são tomadas por dia, num autêntico “buffet” de temáticas, onde os representantes e inúmeras personalidades se dividem consoante o seu interesse, e onde a cada hora o mundo muda um bocadinho.

Sente-se a dinâmica no ar: todas as conversas de corredor têm um propósito, todas as pessoas têm algo de interessante para dizer e a diversidade é a palavra de ordem, pois imensas culturas estão reunidas no mesmo sítio com o mesmo propósito.

Durante os 3 dias em que tive o privilégio de experienciar o ambiente destas “4 paredes”, um pensamento foi constante: e se não fosse condicionado à Sede das Nações Unidas? E se o mundo realmente vivesse esta dinâmica e interacção? E se todo o mundo fosse um exemplo de pluralidade, compreensão, tolerância e construcção conjunta?

O que te impressionou mais durante o Youth Action Summit?

É quase injusto nomear apenas uma, mas definitivamente uma frase ficou: if we sent every young person abroad on an exchange, it would change the World – Jan Eliasson, United Nations’ Deputy Secretary-General.

Não é todos os dias que temos a validação externa do trabalho  que a AIESEC tem tido globalmente e nas diferentes gerações que tem impactado através do desenvolvimento de liderança.

Todo o evento foi revestido de uma química especial: o convite que foi feito à AIESEC foi claro – como é que a maior Organização Internacional gerida unicamente por jovens pode ser um veículo de impacto e tornar os SGD’s uma realidade?

Este foi um outro factor que me impressionou, pois actualmente há um reconhecimento da juventude enquanto motor fundamental de mudança positiva. A voz dos jovens é mais importante que nunca, principalmente quando é revestida de acções concretas que mudam o Mundo.

Quais as maiores aprendizagens que retiraste da Conferência?

Foram 3 dias intensos e cheios de informação, ideias e sonhos, mas as maiores aprendizagens foram sem dúvida relativas ao facto de não existirem responsáveis finais para tornar os SDG’s uma realidade.

É da cooperação com os diferentes sectores da sociedade e entre diferentes países que este sonho se tornará realidade.

Durante o evento, estiveram presentes o sector corporativo, não-corporativo, Media, jovens, personalidades mediáticas, governante e o ponto comum entre toda as intervenções residiu no facto que é das acções conjuntas entre as organizações que surge um maior impacto e alcance.

É nesta interligação de sectores que a juventude ganha ainda um papel de maior destaque: enquanto geração, temos aprendizagens a partilhar e retirar de todos os sectores. Por um lado, somos nós que podemos dar o retrato mais fiel do que passamos e como envisionamos o mundo daqui a 15 anos, e por outro, podemos perceber como é que podemos ter um impacto positivo ao longo de toda a nossa vida, mesmo a profissional.

A responsabilidade individual de cada um para com os SDGs é enorme, mas o nosso contributo será sempre maior quando começarmos a trabalhar todos em conjunto para esse sonho.

Como é que o Youth Action Summit te ajudou a perceber melhor as necessidades dos Jovens do mundo? E dos Jovens Portugueses?

Durante o “Youth Action Summit”, os primeiros resultados do Youth Speak Survey Global foram lançados, num conjunto de mais de 40.000 respostas de todo o mundo.

Vários foram os insights já retirados destes resultados preliminares, mas destaco claramente o facto de 41,5% dos respondentes quererem uma experiência internacional, profissional ou social. A juventude cada vez mais reconhece o poder que uma experiência destas tem no seu desenvolvimento pessoal, e é um excelente sinal que nos faz acreditar no poder da aproximação de culturas.

Um outro ponto importante é ainda o índice de satisfação com o Ensino Universitário: no seu geral, os respondentes dão nota bastante negativa às aprendizagens que retiram do Ensino Superior.

Finalmente, é ainda interessante perceber que o SDG que mais apaixona os respondentes é “Quality Education”, que reuniu cerca de 41% das preferências.

Neste contexto, é interessante perceber como estas 3 vertentes se interligam: Educação está na ordem do dia, e a juventude grita por uma Educação mais prática e direccionada ao mundo real, que na sua maioria, não é dada pelo Ensino Formal, levando a grande insatisfação por parte do público Jovem.

É ainda interessante perceber que os jovens identificam a Educação como uma prioridade para mudar o mundo, e que as experiências internacionais podem ser um contributo importante para suprir as lacunas do Ensino Formal.

Portugal não é excepção neste contexto.

Como é que os Jovens Portugueses podem contribuir para a nossa sociedade?

Acções!

Sinto que a juventude em Portugal não se sente ouvida e não se sente parte das soluções que são necessárias para a nossa sociedade, o que provoca um pouco o nosso afastamento e desinteresse.

Considero que primeiro, temos que dar um passo voluntário de perceber qual o mundo de oportunidades que nos rodeiam, como nos podemos desenvolver a nós, às nossas comunidades, encontrar um propósito pessoal e ter um contributo activo e positivo na sociedade. Usar os canais que nos estão abertos para nos ouvir é fundamental, pois a solução vem sempre da participação; nunca do afastamento.

Acredito fundamentalmente que nos falta encontrar a nossa paixão, aquele objectivo que nos tira da cama todos os dias com um sorriso na cara e nos dá garra para lutar por ele. Essa paixão pode facilmente ser encontrada com novas experiências, novas pessoas, novas organizações mas fundamentalmente, acreditando em nós próprios enquanto pessoas que podem fazer a diferença.

Hoje em dia, pequenas acções mudam o mundo e são os “líderes anónimos” que mais têm impacto. A quantidade de informação que nos está disponível é enorme, e o fenómeno do “viral” está connosco todos os dias e é dificil não encontrar alguém com interesses semelhantes aos nossos.

Se tentássemos algo diferente todos os dias, como seríamos?

Como é que o Youth Speak está a contribuir para essas acções?

O Youth Speak é uma ferramenta incrível! Se o desafio de a juventude é não ser ouvido nos grandes palcos das decisões mundiais, o Youth Speak é a solução.

Testemunhei  grandes líderes mundiais a assistirem à apresentação dos resultados preliminares do Youth Speak Survey perplexos, pois foi a primeira vez que constataram os factores que motivam e preocupam a juventude à escala global.

Acredito que o Youth Speak Survey não é apenas um Survey – é a oportunidade de cada um contribuír com a sua visão, sonhos e preocupações, que são posteriormente partilhados com grandes decisores, como as Nações Unidas, mas também com outros sectores, como o corporativo que desta forma percebem que as suas acções nem sempre são ajustadas à nossa realidade. E é daí que nasce o verdadeiro poder do Youth Speak Survey: percebendo a juventude, os diferentes sectores percebem o que têm que mudar e ajustar, dando origem a grandes projectos, práticas e principalmente, mudança de mentalidades.

Chamar ao Youth Speak Survey a “voz da juventude” é pouco: é onde começa um mundo melhor.

 

Henrique Santana

Member Committee President

AIESEC Portugal

presidency@aiesec.pt

 

 

 

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