AIESEC Experience

Não me lembro de existir sem ter o sonho de ir a África. Era o maior plano que tinha. Daqueles planos que, sem saber bem explicar, tens a certeza absoluta que vais concretizar. A verdade é que este sonho foi sendo adiado até ao último momento. Quando acabei o mestrado decidi que tinha chegado a altura. Comecei a pesquisar organizações e programas de voluntariado até que encontrei a AIESEC.

Inscrevi-me e entrei logo em contacto com a pessoa responsável por me acompanhar ao longo de todo o processo (Maria Beatriz). Comecei a ver vários projetos, um pouco por todo o mundo, mas a maioria em África. Sabia que queria trabalhar com crianças e que preferia ir para um país onde se falasse português. A Maria Beatriz ajudou-me muito nesta fase e apresentou-me 3/4 projetos para escolher. Finalmente decidi: ia trabalhar num orfanato na cidade da Beira em Moçambique.

Quando escolhi finalmente o meu projeto, faltava pouco mais de um mês para partir à aventura. Assim, esse mês foi preenchido a tratar de voos, vistos, seguros de saúde e toda a papelada necessária. Estava muito ansiosa, um pouco nervosa até. Afinal de contas ia para uma realidade muito diferente da minha e não conhecia lá ninguém. Felizmente deram-me o contacto de uma rapariga que já lá estava e que ia trabalhar comigo no orfanato, o que facilitou muito as coisas.

Quando lá cheguei fui muito bem recebida pelas pessoas da AIESEC in Beira. Levaram-me a casa, apresentaram-me, mostraram-me a cidade. Fizeram-me sentir muito apoiada em tudo. Nos primeiros dias tive que tratar de alguns assuntos relacionados com o visto e tive que me apresentar no orfanato, sempre acompanhada por alguém da AIESEC, na maior parte das vezes a minha buddy.

Também no início da experiência conheci a minha família de acolhimento e a voluntária que vivia connosco e que passou a ser parte da minha família. Esta parte não podia ter sido melhor! Aprendemos a viver numa casa cheia de gente, a tomar banho de caneca, a fazer matapa de couve, a ralar cocô, a ter o quarto sempre cheio de miúdos, a ser cumprimentadas pelos vizinhos, a dormir sempre dentro da rede mosquiteira e a adormecer com o cheiro a repelente. Fomos mesmo muito felizes na casa da tia Maria!

Saía de casa, apanhava o chapa e ia para o orfanato onde era ainda mais feliz do que em casa. Passava a manhã a tomar conta de bebés: a dar colo, a cantar músicas, a mudar fraldas, a dar papas e a aprender coisas novas com as titias que lá trabalhavam. Também aqui tinha uma grande amiga que me acompanhava em tudo isto. A nossa principal função era estar com os bebés, mas sempre que era preciso ajudavamos noutras coisas: íamos com algumas crianças à praia, organizavamos donativos…

Ao longo de toda a minha experiência, para além do apoio das pessoas da AIESEC in Beira, mantive sempre o contacto com a Maria Beatriz, que me contactava regularmente para saber como estava a correr a minha experiências.

A relação com as pessoas da AIESEC in Beira ia muito para além do estritamente necessário. Apoiavam-me em todas as coisas mais burocráticas, mas para além disso estavam muito presentes no dia-a-dia. Íamos passear pela cidade, almoçar fora, jantar a casa de alguém da AIESEC e até passear para um pouco mais longe, quando possível. 

Decidir partir nesta experiência foi a melhor decisão que tomei até hoje. Como diz uma grande amiga minha, estar na Beira ajudou-me a rebentar a bolha em que vivia e a alargar horizontes. Aprendi que aquilo que num dia vejo como choque cultural, daí  uma semana já pode ser a minha realidade. Aprendi a desenrascar-me, a não julgar as realidades dos outros e percebi o quanto se pode ganhar quando saímos da nossa zona de conforto. E tu? Já decidiste para onde vais partir? Arrisca e inscreve-te em: aiesec.org.

Mariana Monteiro

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