Feminicídio no México

Feminicidio! Só o pronunciar desta palavra é capaz de arrepiar qualquer pessoa! E o seu significado? Esse faz-nos ficar, para além de arrepiados, horrorizados! Feminicídio descreve o assassinato de mulheres pelo simples facto de serem o que são: Mulheres…
Este crime é reflexo de toda uma cultura machista que tem sido passada de geração em geração ao longo dos anos. É o final fatal de vários tipos de violência que têm as mulheres como alvo nas sociedades onde se verifica uma grande desigualdade de poder entre homens e mulheres. É consequência de várias construções históricas, culturais, económicas, políticas e sociais que discriminam as mulheres.
No início deste ano, a morte de duas mulheres gerou revolta entre a população feminina no México. Ingrid Escamilla tinha apenas 25 anos, quando perdeu a vida pelas mãos do seu companheiro, que a esquartejou à frente do seu filho. Este episódio, sobretudo devido à forma como foi tratado pelos diversos meios de comunicação, gerou uma grande revolta por parte da população mexicana.
Esta indignação e revolta são ainda mais intensificados quando, três dias depois, a pequena Fátima Cecilia Aldrighett de apenas 7 anos, que tinha sido raptada, foi encontrada sem vida e com sinais claros de violência sexual, num saco de plástico. Consequentemente, verificou-se um número crescente de manifestações movidas pela população mexicana por todo o país e diante do Palácio Nacional.
Neste contexto, verificaram-se dois grandes movimentos nos dias 8 e 9 de março deste ano. O dia 8 de março representa o “Dia Internacional da Mulher”, servindo de alicerce para as marchas realizadas. As mulheres saíram à rua num protesto na Cidade do México. No dia seguinte, verificou-se o cenário contrário: as mulheres não saíram à rua com o intuito de evidenciar a importância da mulher nos mais diversos setores. Este movimento, sob a forma da hashtag #UnDíaSinNosotras, contou com a presença de mulheres das mais variadas idades: das mais novas às mais idosas.
Ingrid Escamilla e a pequena Fátima Aldrighett, infelizmente, são mais dois dos vários nomes de mulheres que perderam a vida para o feminicídio. No México, segundo o Secretário Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública, 10 mulheres morrem diariamente. São 3650 vítimas de feminicídio todos os anos.
Adicionalmente, nos últimos cinco anos verificou-se um aumento em 136% das vítimas de feminicídio e, em cerca de 90% dos crimes, não há qualquer penalidade para o agressor.
Estes dados, que apenas se referem ao México, são evidência clara de uma cultura machista enraizada na sociedade mundial que, mesmo com todos os movimentos e conhecimentos de que dispõe, continua a culpar as vítimas e a silenciar-se perante estas situações…
É com o objetivo de reverter este entre outros cenários de desigualdade de género a nível mundial que a ONU definiu a Igualdade de Género como um dos seus objetivos a cumprir até 2030, levando ao aparecimento do SDG5 – Gender Equality.
E como é que tu podes contribuir para este objetivo? Simples, se assistires a alguma situação que não deixe qualquer dúvida de que estás perante violência contra a mulher fala com alguém, ajuda a vítima, faz o que estiver ao teu alcance para ajudar! Mas lembra-te, nunca, em momento algum, te silencies! Ficar calado e de braços cruzados é ser cúmplice do agressor!
Ao mesmo tempo, podes descobrir e desenvolver o líder que há em ti enquanto contribuis para a igualdade de género em qualquer um dos vários projetos de voluntariado da AIESEC inerentes ao SDG5, pois é necessário educar os jovens do presente para que os adultos do futuro sejam mais conscientes e não compactuem com o crime que é o feminicidio..
É o teu momento de agir, o mundo precisa deste teu pequeno passo para que, um dia, homens e mulheres sejam vistos como iguais e as mulheres não percam a vida só porque são Mulheres… Se ficaste curioso, podes descobrir mais em aiesec.org.

Comentários

comentários